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Reino Unido: Burnham promete "reconfigurar" o país com descentralização

Andy Burnham, do Partido Trabalhista, gesticula enquanto profere um discurso no People's History Museum, em Manchester, Inglaterra, segunda-feira, 29 de junho de 2026.
Andy Burnham, do Partido Trabalhista, gesticula enquanto profere um discurso no Museu da História do Povo, em Manchester, Inglaterra, segunda‑feira, 29 de junho de 2026 Direitos de autor  Copyright 2026 The Associated Press. All rights reserved
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De Rebecca Rommen
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O provável próximo primeiro-ministro do Partido Trabalhista apresentou um plano económico de 10 anos no seu discurso em Manchester, prometendo maiores competências regionais.

Andy Burnham usou o primeiro grande discurso programático, como principal favorito à liderança do Labour, para prometer a maior reconfiguração do poder político na história moderna britânica, comprometendo-se a entregar amplas novas competências aos líderes locais e a deslocar parte do gabinete do primeiro-ministro para Manchester.

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Falando no People's History Museum, na cidade onde passou nove anos como autarca, Burnham apresentou um plano a dez anos para reanimar a economia do Reino Unido que descreveu como estagnada desde a crise financeira de 2008.

"O crescimento não pode ser decretado de cima para baixo. Só pode, aliás, ser fomentado de baixo para cima", disse ao público na segunda-feira.

Central na sua proposta está a criação de um novo polo governamental em Manchester, a que chamou "No. 10 North", que disse tornar-se "o centro nevrálgico de uma Grã-Bretanha redesenhada". Os autarcas regionais passariam a ter poderes alargados sobre habitação, proteção social e educação, num plano que Burnham apresentou como "o maior reequilíbrio de poderes que o nosso país já viu".

A abordagem inspira-se fortemente no que designa por "Manchesterismo" – uma filosofia que noutras ocasiões descreveu como "socialismo pró-empresas" e uma rejeição da economia do trickle-down. Durante o seu mandato como autarca, esta visão traduziu-se em iniciativas como a Bee Network, o sistema de autocarros sob controlo público de Manchester, e o Good Growth Fund, que canalizou investimento para cada um dos distritos da Grande Manchester. Burnham aposta agora em transpor este modelo para o plano nacional.

O deputado comprometeu-se também a criar novos empregos industriais, alargar as oportunidades de educação e enfrentar aquilo que classificou como o desperdício nos setores privatizados da água e da energia no Reino Unido.

Coroação praticamente garantida

Burnham é, de longe, o sucessor mais provável de Keir Starmer, que anunciou a demissão em 22 de junho, após dois anos no cargo marcados por quebras nas sondagens, demissões de ministros e uma série de pesadas derrotas eleitorais. A saída de Starmer seguiu-se a meses de crescentes pressões internas, culminando nos desastrosos resultados das eleições autárquicas de maio, em que o Labour perdeu quase 1 500 lugares em assembleias locais, muitos deles para o Reform UK de Nigel Farage.

Burnham venceu a eleição intercala em Makerfield em 18 de junho, num círculo deixado vago especificamente para lhe permitir regressar a Westminster, assegurando cerca de 55% dos votos, num resultado acima das previsões. Foi empossado deputado em 22 de junho, no mesmo dia em que Starmer tornou pública a decisão de abandonar o cargo.

Desde então, o caminho até Downing Street tem ficado cada vez mais desimpedido. O antigo ministro da Saúde, Wes Streeting, visto como o seu rival mais provável, declarou na semana passada o apoio a Burnham. O ministro do governo Darren Jones afastou-se igualmente da corrida, na quarta-feira, dizendo à Sky News: "Andy Burnham vai ser o próximo primeiro-ministro". As nomeações para a liderança abrem em 9 de julho e encerram uma semana depois; se não surgir qualquer adversário, Burnham poderá estar em Downing Street já em 17 de julho.

Velhos desafios, novo rosto

Apesar do impulso político e do entusiasmo genuíno que o seu nome suscita em partes do movimento trabalhista, Burnham herdará uma situação política profundamente difícil. A economia do Reino Unido mantém-se fraca, os serviços públicos estão sob pressão e os orçamentos das famílias continuam apertados, as mesmas condições que corroeram a popularidade de Starmer. Estará igualmente vinculado às promessas do manifesto eleitoral de 2024 do Labour, incluindo o compromisso de não aumentar os impostos sobre os trabalhadores.

O Partido Conservador apressou-se a desvalorizar o discurso de segunda-feira. "A grande ideia de Andy Burnham é baralhar o poder entre políticos", afirmou o presidente dos conservadores, Kevin Hollinrake. "Não é consertar o sistema de proteção social. Não é cortar os impostos que estrangulam as famílias trabalhadoras e as empresas britânicas. Não é financiar a defesa de que o nosso país precisa desesperadamente."

Em matéria de defesa, espera-se que Burnham herde os compromissos incluídos no há muito aguardado plano de investimento do governo, cuja publicação levou o ministro da Defesa, John Healey, a demitir-se em 11 de junho, antes da cimeira da NATO na Turquia, em 7 e 8 de julho.

A política externa coloca pressões próprias. O vice-primeiro-ministro David Lammy afirmou à Euronews, na semana passada, que esperava continuidade nas principais linhas, incluindo o apoio à Ucrânia e o esforço em curso para aprofundar os laços com a UE. Uma cimeira Reino Unido-UE, prevista para 22 de julho, foi adiada à luz da transição na liderança e subsistem dúvidas sobre a posição de Burnham em relação ao mercado único, com alguns deputados trabalhistas pró-UE a instarem-no já a abandonar as linhas vermelhas mantidas pelo seu antecessor.

Por agora, Burnham é o favorito incontestado, e o discurso de segunda-feira foi a sua primeira grande proposta para convencer eleitores, mercados e o próprio partido de que o homem que transformou Manchester está preparado para fazer o mesmo com o Reino Unido.

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