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Comissário europeu do Orçamento critica os chamados "países frugais"

Comissário europeu para o Orçamento da UE Piotr Serafin em 2026
Comissário europeu para o Orçamento da UE, Piotr Serafin, em 2026 Direitos de autor  European Union/Lukasz Kobus
Direitos de autor European Union/Lukasz Kobus
De Eleonora Vasques
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Estados-membros considerados "frugais" pedem forte redução da despesa antes do próximo orçamento da UE para 2028-2034.

"Novos cortes e uma falta de ambição em matéria de novas receitas para o próximo orçamento de longo prazo da UE não tornariam necessariamente a União mais barata para os contribuintes", afirmou esta quinta-feira o comissário europeu responsável pelo Orçamento, Piotr Serafin, numa mensagem dirigida aos chamados "países frugais", que procuram reduzir esse orçamento plurianual.

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O orçamento de dois biliões de euros para o período 2028-2034 foi proposto pela Comissão Europeia em julho de 2025 e está atualmente a ser negociado entre os Estados-membros.

Alemanha, Países Baixos, Dinamarca, Suécia, Finlândia e Áustria defendem de forma firme a redução das despesas propostas e mostram-se reticentes em encontrar novas formas de receita.

A essa posição opõe-se um grupo de 16 países do sul e do leste da Europa que, no final de maio, pediu um aumento das verbas para a agricultura e para os fundos regionais, já significativamente reduzidas na proposta da Comissão de julho de 2025. Autodenominaram-se "amigos da coesão".

Os frugais, que têm procurado rebatizar-se como "modernizadores", foram alvo de críticas de Serafin na quinta-feira, durante um discurso na conferência anual do orçamento, em Bruxelas. "Temos de ter em conta a relação entre ter um orçamento frugal e ter um orçamento moderno", afirmou Serafin durante o evento. "A verdade é que um orçamento mais frugal pode não ser necessariamente mais moderno", acrescentou o comissário, explicando que um orçamento reduzido pode fragilizar alguns aspetos da modernização.

"Um orçamento frugal da UE pode não ser necessariamente mais barato para os contribuintes europeus", disse, recordando que investimentos estratégicos, como na defesa e na segurança, se não forem financiados pelo orçamento da União terão de ser cobertos pelos orçamentos nacionais.

Segundo o comissário, depender mais dos orçamentos nacionais em vez de avançar em conjunto através do orçamento da UE acabaria por criar mais situações de duplicação, mais ineficiências e menos oportunidades de ganhar escala.

Os Estados-membros chegaram, em meados de junho, a um texto de compromisso sobre o projeto de orçamento. Resultante de um compromisso entre as posições dos "frugais" e dos "amigos da coesão", esse texto prevê um corte de 32,8 mil milhões de euros face à proposta inicial da Comissão Europeia.

De acordo com várias fontes conhecedoras das negociações que falaram com a Euronews sob condição de anonimato, o último texto é visto como um primeiro passo para novas rondas, não sendo esperado que os números finais estejam em cima da mesa antes de dezembro.

O objetivo dos negociadores é chegar a um acordo até ao final de 2026, para evitar prolongar as discussões até 2027, ano eleitoral decisivo para vários países europeus, entre os quais Itália, França e Polónia.

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