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Mais de 40% dos jovens portugueses já foram alvo de grooming online, revela estudo

Prática de sexting por parte de adolescentes foi sobretudo através do envio de mensagens de teor sexual
Prática de sexting por parte de adolescentes foi sobretudo através do envio de mensagens de teor sexual Direitos de autor  DR
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De Joana Mourão Carvalho
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Mais de quatro em cada dez jovens portugueses já foram alvo de aliciamento online por parte de adultos, e 26% admite ter correspondido a essas interações, segundo um estudo recente. Autores alertam para o impacto destes comportamentos na saúde mental dos adolescentes.

Mais de quatro em cada dez jovens portugueses já foram alvo de aliciamento online (grooming) por parte de adultos, e pelo menos 26% admitem ter correspondido a essa interação de natureza sexual.

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As conclusões constam de um estudo conduzido pelo Centro de Investigação da Egas Moniz School of Health and Science, que analisou a prevalência do grooming e do sexting entre jovens portugueses e a relação entre estes comportamentos.

Segundo a investigação, baseada numa amostra superior a 170 adolescentes, com idades entre os 12 e os 17 anos, "estes fenómenos não ocorrem de forma isolada". Os investigadores identificaram uma correlação entre sexting e grooming online, sugerindo que a prática de partilha de conteúdos de natureza sexual pode aumentar a vulnerabilidade a contactos abusivos por parte de adultos e que o próprio processo de aliciamento pode incentivar a comportamentos de sexting.

Os autores do estudo descrevem o grooming online como "um processo de abordagem gradual por parte de adultos, que, em muitos casos, envolve conversas de teor sexual, pedidos de imagens íntimas e a tentativa de criar confiança com menores de idade". Em 9,3% dos casos, os jovens referem ter chegado a marcar encontros presenciais com esses adultos envolvidos.

Os dados indicam ainda que a prática de sexting por parte destes adolescentes se manifestou sobretudo através do envio de mensagens de teor sexual (52,9%), fotografias (41,3%) e vídeos íntimos (16,3%).

Embora este tipo de partilha seja frequentemente percecionada pelos jovens como voluntária, os investigadores alertam que estas práticas também ocorrem em contextos de pressão ou de influência externa e "pode ser utilizada como instrumento de aliciamento online por parte de adultos".

O estudo aponta ainda para uma relação entre estes comportamentos e a saúde mental dos jovens. Segundo os investigadores, os jovens que reportam terem sido vítimas de grooming, tendem a apresentar níveis mais elevados de ansiedade, medo e vergonha e menor presença de emoções positivas.

A investigação identifica ainda uma maior vulnerabilidade à exposição ao grooming online em adolescentes com histórico de vitimização prévia, o que para os autores sugere a existência de perfis de risco mais suscetíveis a estes fenómenos.

"Estes fenómenos devem ser compreendidos de forma integrada, enquanto comportamento de risco com impacto significativo na vulnerabilidade emocional e na saúde mental dos jovens", afirmam Telma Catarina Almeida, docente e investigadora da Egas Moniz, e André Pereira, da mesma instituição.

Os investigadores consideram que "as redes sociais tornaram-se um novo palco para este tipo de riscos acrescidos" e defendem a importância de "reforçar a literacia digital e a prevenção junto de adolescentes, famílias e contextos educativos".

No âmbito do reforço de medidas de prevenção e intervenção, os autores recomendam ainda a integração da educação para a segurança digital nas escolas, a formação e a sensibilização de profissionais que trabalhem com adolescentes e jovens, assim como a necessidade de campanhas de sensibilização e de mecanismos de denúncia mais acessíveis.

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