Loader
Encontra-nos
Publicidade

Polémica em torno do vídeo da Frontex: missão da Sea-Watch dá origem a investigações em Itália

Salvamento marítimo, arquivo
Salvamento marítimo, arquivo Direitos de autor  Copyright 2020 The Associated Press. All rights reserved.
Direitos de autor Copyright 2020 The Associated Press. All rights reserved.
De Laura Fleischmann
Publicado a
Partilhar Comentários Siga a Euronews no Google
Partilhar Close Button

Um vídeo dos autos do Ministério Público mostra uma operação de salvamento no Mediterrâneo. O capitão está a ser investigado por alegada cumplicidade na entrada ilegal no país. A ONG refuta as acusações.

Um vídeo divulgado nas últimas semanas a vários meios de comunicação internacionais mostra como a organização de salvamento marítimo Sea-Watch resgata, no Mediterrâneo, 90 migrantes, na sua maioria do Bangladesh, de um barco de contrabandistas a bordo de um bote insuflável. Estes são entregues por cinco supostos contrabandistas encapuzados, que, segundo a Sea-Watch, estariam armados. O vídeo terá sido obtido dos autos de inquérito do Ministério Público de Brindisi, no sul de Itália.

PUBLICIDADE
PUBLICIDADE

O clip de 30 minutos terá sido gravado já em 11 de maio pela agência europeia de controlo de fronteiras, a Frontex, que confirmou a utilização de um helicóptero nesse dia na zona em causa. Em 15 de maio, o navio Sea-Watch 5 acabou por chegar ao porto de Brindisi com 166 migrantes resgatados a bordo. As autoridades italianas investigam agora o capitão neerlandês do navio por “auxílio à entrada ilegal”. Em caso de condenação, arrisca até 20 anos de prisão.

Vários meios de comunicação, como o tabloide Bild, falam de uma possível cooperação entre a Sea-Watch e traficantes: “Trabalham os salvadores alemães no mar com a máfia de traficantes?”, questiona o jornal. “Estão os voluntários humanitários ligados a traficantes que fazem atravessar o Mediterrâneo a migrantes?”, escreve o diário conservador francês “Le Figaro”.

De acordo com um artigo do “Le Figaro”, o Sea-Watch 5 terá aguardado, a norte da Líbia, pela embarcação de traficantes que vinha daquele país. Ao chegar ao local, a tripulação do navio de salvamento terá acenado aos traficantes.

A Sea-Watch rejeita esta versão, segundo explicou a ONG ao meio de comunicação alemão de esquerda “nd”. A tripulação terá avistado no horizonte a embarcação em dificuldades e enviado equipas de salvamento para avaliar a situação. Inicialmente, a bordo, a tripulação não terá percebido que poderiam estar traficantes no barco.

Alguns dos migrantes resgatados estavam inconscientes ou muito debilitados, afirmou a ONG em comunicado. Os presumíveis traficantes armados representavam um possível perigo para a tripulação e para os próprios migrantes.

“Cada passo seguinte da tripulação da Sea-Watch visou desanuviar esta situação extremamente perigosa, para salvar vidas. Tal como em qualquer incidente deste tipo, as autoridades foram informadas de todas as ações; encontros com homens mascarados e armados já tinham sido documentados anteriormente pela Sea-Watch e por outras ONG.” A própria Sea-Watch fala numa “campanha de difamação” por parte da “extrema-direita” e em “afirmações falsas”.

Depois de terminada a gravação, um navio da guarda costeira líbia disparou sobre o navio de salvamento. A guarda costeira líbia é apoiada pela UE desde 2016. A principal missão é levar de volta para a Líbia os refugiados e migrantes intercetados no Mediterrâneo.

Ir para os atalhos de acessibilidade
Partilhar Comentários Siga a Euronews no Google

Notícias relacionadas

Frontex reforça presença na Península Ibérica com 300 agentes e novo comando em Lisboa

União Europeia enfrenta tráfico de droga e consumo de drogas sintéticas

Diretor da Frontex diz que mudança cultural levará três anos para ser concluída