A investigação teve início na sequência da denúncia de uma menor que chegou a Ceuta durante a recente chegada em massa de migrantes. Entretanto, Marrocos mostrou-se disposto a colaborar com a Espanha no acolhimento e no regresso dos menores.
A Polícia Nacional investiga uma alegada agressão sexual contra uma menor que chegou a Ceuta durante a entrada massiva de migrantes registada na semana passada, segundo avançou “El Faro de Ceuta”.
De acordo com a informação divulgada pelo jornal local, a menor apresentou queixa por agressão sexual e foi acionado o protocolo previsto para este tipo de situações. A investigação mantém‑se em curso. Para já, não há notícia de detenções nem das circunstâncias em que terão ocorrido os factos. Nem a Polícia Nacional nem a Delegação do governo em Ceuta prestaram informação pública sobre o caso.
Várias entidades públicas alertaram para a especial vulnerabilidade das mulheres e dos menores que permanecem em Ceuta após a entrada massiva de migrantes.
O Ministério da Igualdade ofereceu a sua colaboração à Cidade Autónoma para reforçar a proteção das mulheres migrantes em situação de risco. Num comunicado, a secretária de Estado da Igualdade e para a Erradicação da Violência contra as Mulheres, María Guijarro, sublinhou que “a cidade deve garantir apoio a estas mulheres em risco de sofrer violência de género e proporcionar‑lhes um lugar seguro onde possam receber a assistência básica por parte de todas as administrações competentes”.
Marrocos oferece colaborar na gestão dos menores
Por outro lado, Marrocos comunicou a Espanha a sua disponibilidade para colaborar na gestão dos menores que permanecem em Ceuta após a crise migratória.
O ministro marroquino dos Negócios Estrangeiros, Nasser Bourita, afirmou que o país está disposto a cooperar com Espanha no quadro dos acordos bilaterais e defendeu que a prioridade passa por identificar os menores e facilitar a reunificação com as famílias sempre que seja possível.
A proposta surge numa altura em que continua o debate sobre o realocação dos menores entre as comunidades autónomas e sobre as medidas para aliviar a pressão sobre o sistema de acolhimento de Ceuta.
O presidente de Ceuta, Juan Jesús Vivas, afirmou esta quinta‑feira que entre 3.000 e 6.000 dos migrantes que entraram na cidade autónoma em 24 horas continuam em Ceuta. “Os centros de acolhimento estão em situação de colapso, o episódio evoluiu para uma crise humanitária de grande dimensão”, declarou após se reunir com o rei Filipe VI.
Mais de uma centena de migrantes foram desalojados nas últimas horas do cemitério muçulmano de Sidi Embarek, onde se tinham instalado para dormir e lavar‑se, utilizando a água do recinto. Os trabalhadores repararam vários danos provocados, segundo as autoridades, pelos migrantes que permanecem na cidade desde a entrada massiva de 30 de julho.