Loader
Encontra-nos
Publicidade

Orçamento da UE: Suécia, no campo dos “frugais”, endurece ainda mais posição

Então primeira-ministra da Suécia, Magdalena Andersson, fala numa conferência de imprensa em Visby, Suécia, domingo, 3 de julho de 2022.
A então primeira-ministra da Suécia, Magdalena Andersson, fala numa conferência de imprensa em Visby, na Suécia, no domingo, 3 de julho de 2022. Direitos de autor  AP Photo/ Henrik Montgomery
Direitos de autor AP Photo/ Henrik Montgomery
De Luca Bertuzzi
Publicado a Últimas notícias
Partilhar Comentários Siga a Euronews no Google
Partilhar Close Button

A Suécia integra o chamado bloco “frugal” da UE, ao lado da Alemanha e dos Países Baixos, defendendo cortes no próximo orçamento plurianual para aliviar os contribuintes nacionais. Mesmo uma viragem à esquerda em Estocolmo dificilmente abrandará esta posição.

A líder do Partido Social-Democrata sueco, Magdalena Andersson, deverá tornar-se na próxima primeira-ministra do país. Mas o seu perfil de centro-esquerda não a tornará menos intransigente entre os “frugais” nas próximas negociações do orçamento da UE.

PUBLICIDADE
PUBLICIDADE

O Partido Social-Democrata sueco está bem posicionado para vencer as eleições de 13 de setembro, surgindo nas sondagens com 32%, muito à frente dos Democratas da Suécia, nacional-conservadores, com 20%, e do Partido Moderado, de centro-direita, do atual primeiro-ministro Ulf Kristersson, com 17%, segundo os últimos dados.

Tal resultado tornaria a Suécia um dos poucos países da UE a virar-se para um governo progressista, numa altura em que executivos de centro-esquerda subsistem apenas em Espanha, Dinamarca e Malta, enquanto as tendências eleitorais no resto da Europa favorecem em geral a direita radical.

Mas quem esperar que o próximo governo de Estocolmo venha a suavizar a sua posição nas delicadas negociações sobre o orçamento plurianual da UE ficará desiludido: tudo indica que o executivo de Andersson será ainda mais rígido do que o atual.

“É provável que o próximo governo sueco seja muito mais duro”, afirmou em declarações à Euronews um responsável sueco, sob condição de anonimato por não estar autorizado a falar publicamente. “Nas audições parlamentares, perguntam sempre porque é que o governo atual não faz mais para se opor à proposta de orçamento.”

A Suécia integra o chamado bloco dos “frugais”, ao lado da Alemanha e dos Países Baixos, contribuintes líquidos que pagam muito mais para o orçamento da UE do que recebem.

Estocolmo tem sido particularmente crítica em relação à dimensão da proposta de 2 biliões de euros da Comissão Europeia, mesmo na versão reduzida apresentada pela presidência cipriota, e insiste em manter o orçamento global em baixa para limitar o impacto sobre os contribuintes suecos.

Responsáveis suecos estimam que a proposta inicial da Comissão aumentaria a contribuição do país em cerca de 60%, numa altura em que as finanças públicas já estão pressionadas pela subida das despesas de defesa e pela ajuda militar à Ucrânia.

Numa audição de março da Comissão dos Assuntos da UE, a deputada social-democrata Matilda Ernkrans afirmou que o governo atual esgotou as finanças do país, reduzindo drasticamente a margem para reformas no próximo mandato.

“Neste contexto, um aumento da contribuição para a UE da dimensão que está agora a ser discutida é totalmente inaceitável”, declarou, sublinhando em particular a necessidade de manter o chamado “desconto”: uma redução que a Suécia garantiu nas anteriores negociações orçamentais.

Andersson foi ministra das Finanças da Suécia entre 2014 e 2021, período que abrangeu as negociações do anterior orçamento de sete anos, durante as quais conseguiu assegurar pessoalmente um desconto anual superior a mil milhões de euros, que agora parece decidida a preservar.

“Os sociais-democratas estão concentrados nas políticas internas e não querem sacrificar a sua agenda social em benefício de Bruxelas”, afirmou o responsável sueco, acrescentando que algum tipo de desconto será provavelmente necessário para chegar a um acordo final.

Esta pressão para reduzir o orçamento da UE e preservar espaço orçamental para a política social interna coloca os sociais-democratas suecos em rota de colisão com os seus parceiros de centro-esquerda no grupo Socialistas e Democratas (S&D) no Parlamento Europeu, onde são regularmente colocados à margem das discussões orçamentais.

O S&D tem igualmente apoiado a extensão do recurso a dívida comum a nível da UE, seguindo o modelo do NextGenerationEU, o fundo europeu de recuperação pós-pandemia. Andersson, pelo contrário, opôs-se inicialmente ao mecanismo enquanto esteve no governo, embora o seu executivo tenha acabado por aderir.

Quanto à dívida emitida em conjunto a nível da UE, a sua posição evoluiu: apoiou o recurso a empréstimos conjuntos para reforçar a defesa europeia e apoiar militarmente a Ucrânia, argumentando que “isto tem de acontecer a um ritmo acelerado e todos os países devem fazê-lo, mesmo aqueles com piores condições económicas”, como afirmou em 2025.

Ainda assim, Estocolmo deverá continuar cautelosa em relação à dívida emitida pela UE, já que as taxas de juro envolvidas são superiores aos custos de financiamento da própria Suécia, o que a torna pouco atrativa do ponto de vista económico.

“A Suécia tem há muito tempo seguido o mantra de ser ‘o país mais frugal da Europa’. Esta posição negocial deu resultados particularmente bons nas negociações sobre o fundo conjunto de recuperação da pandemia da UE”, lê-se num relatório (fonte em sueco) sobre o orçamento da UE.

“A Suécia conseguiu limitar o nível de subvenções aos Estados-Membros, garantir um desconto sueco de cerca de 11 mil milhões de coroas por ano e estabelecer um mecanismo de condicionalidade assente nos princípios do Estado de direito”, prossegue o relatório.

Por fim, é pouco provável que o futuro governo sueco altere a postura cética do país em relação aos “recursos próprios” da UE, isto é, impostos de âmbito europeu para financiar diretamente Bruxelas, com o relatório a assinalar que “há tradicionalmente uma atitude crítica por parte da Suécia perante a introdução de novos recursos próprios”.

Ir para os atalhos de acessibilidade
Partilhar Comentários Siga a Euronews no Google

Notícias relacionadas

Chipre propõe corte de 32,8 mil milhões no próximo orçamento da UE

Começou a batalha sobre o orçamento de 2 biliões de euros da UE

Nigel Farage enfrenta Count Binface em eleição relâmpago no Reino Unido