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Ucrânia: Zelenskyy condecora Elon Musk com a Ordem da Liberdade

ARQUIVO - Elon Musk discursa num evento com o presidente Donald Trump, na Sala Oval da Casa Branca, em Washington, a 11 de fevereiro de 2025
ARQUIVO – Elon Musk fala durante um evento com o presidente Donald Trump, no Salão Oval da Casa Branca, em 11 de fevereiro de 2025, em Washington Direitos de autor  AP Photo
Direitos de autor AP Photo
De Sasha Vakulina
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Zelensky distinguiu Musk com uma das mais altas condecorações da Ucrânia, apesar de anos de críticas do magnata tecnológico sul-africano.

O presidente ucraniano, Volodymyr Zelenskyy, atribuiu ao multimilionário da tecnologia Elon Musk a Ordem da Liberdade, uma das mais prestigiadas condecorações estatais da Ucrânia, meses depois de o fundador da SpaceX ter colaborado com Kiev para bloquear a utilização ilegal do Starlink pela Rússia – uma medida que perturbou as comunicações no campo de batalha de Moscovo e ajudou a travar o avanço russo

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O decreto, publicado na quarta-feira no site oficial da presidência ucraniana, destaca os “méritos pessoais excecionais na proteção da vida humana e da liberdade” de Musk e a sua contribuição para as relações entre a Ucrânia e os Estados Unidos.

A distinção representa uma mudança significativa na complexa relação entre Musk, a Ucrânia e a direção política do país, numa altura em que Kiev depende de forma crítica da sua tecnologia de satélites, apesar de sucessivos desentendimentos sobre a guerra e das críticas cada vez mais duras de Musk a Zelenskyy.

A Starlink de Musk tem sido crucial para a Ucrânia desde os primeiros dias da invasão em grande escala pela Rússia, ao garantir comunicações para civis, instituições estatais e forças armadas, depois de as redes convencionais terem sido danificadas ou destruídas.

Musk ativou o serviço sobre a Ucrânia em fevereiro de 2022, após um apelo do então ministro da Transformação Digital, Mykhailo Fedorov.

Dezenas de milhares de terminais passaram desde então a ser centrais nas comunicações no campo de batalha ucraniano e, cada vez mais, na operação de drones.

Mas as forças russas também encontraram formas de obter terminais Starlink de forma ilegal, apesar de a SpaceX afirmar que não vende o serviço na Rússia nem mantém relações comerciais com o governo ou os militares russos.

No início de 2026, responsáveis em Kiev afirmavam que as forças russas montavam cada vez mais terminais em drones de ataque, garantindo aos operadores uma ligação resistente que lhes permitia voar a baixa altitude, contornar a guerra eletrónica e controlar os aparelhos a distâncias maiores.

Em fevereiro, Kiev dirigiu-se diretamente à SpaceX, e Musk respondeu publicamente a Fedorov, enquanto engenheiros ucranianos e da SpaceX trabalhavam em medidas para impedir o acesso não autorizado da Rússia.

A intervenção evidenciou o papel extraordinário que Musk e as suas empresas passaram a desempenhar numa guerra em que as comunicações por satélite estão profundamente integradas nas operações militares.

Ucrânia: relação turbulenta com Musk

Embora Musk tenha disponibilizado o Starlink à Ucrânia num momento crítico em 2022, depressa surgiram divergências sobre até onde a tecnologia deveria ser utilizada nas operações militares ucranianas.

Musk defendeu repetidamente que o Starlink foi concebido para garantir comunicações e não para facilitar ataques de longo alcance, e tem insistido que a sua utilização em ofensivas contra alvos russos pode agravar a guerra.

As suas restrições tiveram consequências diretas no campo de batalha.

Segundo uma investigação jornalística de 2025, Musk ordenou a suspensão da cobertura do Starlink em partes de território ucraniano ocupado pela Rússia durante a contraofensiva de Kiev em 2022, perturbando as operações militares ucranianas.

Outra polémica centrou-se na Crimeia. Musk rejeitou um pedido ucraniano para ativar a Starlink em redor de Sebastopol, no âmbito de operações contra a Frota russa do Mar Negro, alegando recear que a SpaceX se tornasse “explicitamente cúmplice num grande ato de guerra e de escalada do conflito”.

Os desentendimentos tornaram-se depois cada vez mais políticos.

Musk questionou repetidamente a continuação do apoio ocidental à Ucrânia e defendeu que Kiev deveria procurar uma solução negociada para o conflito.

Também criticou diretamente Zelenskyy e apoiou apelos para que a Ucrânia realizasse eleições apesar da lei marcial, ao abrigo da qual as eleições nacionais estão suspensas desde que a Rússia lançou a invasão em grande escala em fevereiro de 2022.

O tema ganhou particular sensibilidade depois de o presidente norte-americano, Donald Trump, regressar à Casa Branca e começar a pressionar Kiev sobre a realização de eleições, ao mesmo tempo que procurava negociar com Moscovo o fim da guerra.

Ucrânia: novos pedidos de Starlink

Kiev tem continuado a trabalhar de perto com a SpaceX, apesar das críticas de Musk.

Os satélites da Starlink continuam profundamente integrados – e insubstituíveis – nas comunicações militares da Ucrânia, e a sua integração em drones deu às forças ucranianas um meio mais resiliente de controlar sistemas não tripulados em áreas onde as ligações rádio convencionais são vulneráveis à guerra eletrónica russa.

A tecnologia tornou-se especialmente importante para ataques em território ucraniano ocupado pela Rússia, onde as forças ucranianas recorrem cada vez mais a drones para atingir rotas logísticas, posições de comando e outros alvos militares muito para lá da linha da frente.

A Ucrânia procura agora obter a aprovação de Musk para alargar o uso de drones equipados com Starlink a ataques em profundidade contra o território russo.

Kiev considera que a tecnologia pode permitir às suas forças atingir lançadores móveis de mísseis balísticos russos e norte-coreanos quando estes se deslocam para posições de disparo, oferecendo potencialmente à Ucrânia mais um meio de enfrentar uma das ameaças mais difíceis para as suas defesas aéreas.

Musk tem recusado dar luz verde até agora.

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