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Rússia mantém milhares de crianças ucranianas em risco, UE prepara novas sanções

Crianças de um orfanato na região de Donetsk, na Ucrânia, fazem uma refeição num campo em Zolotaya Kosa, região de Rostov, sudoeste da Rússia, 8 de julho de 2022.
Crianças de um orfanato na região ucraniana de Donetsk fazem uma refeição num campo em Zolotaya Kosa, região de Rostov, sudoeste da Rússia, 8 de julho de 2022. Direitos de autor  AP Photo
Direitos de autor AP Photo
De Sasha Vakulina
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Milhares de crianças ucranianas permanecem sob controlo russo, alvo de doutrinação, militarização e perda de identidade, alertou a iniciativa Bring Kids Back UA, enquanto a UE prepara novas sanções contra os responsáveis pela sua deportação.

O responsável pela iniciativa Bring Kids Back UA apelou a que os responsáveis pela deportação ilegal e transferência forçada de crianças ucranianas pela Rússia sejam levados à justiça, numa altura em que a UE prepara novas sanções dirigidas a mais 27 indivíduos e entidades russas.

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“A Bring Kids Back UA tem apelado de forma contínua para que todos os responsáveis pela deportação ilegal e transferência forçada de crianças ucranianas pela Rússia sejam levados a tribunal, e saudamos esta ação positiva da União Europeia no sentido de garantir a responsabilização por estes crimes”, disse Maksym Maksymov à Euronews.

“As crianças que continuam sob controlo russo enfrentam o risco de doutrinação, militarização e erosão da sua identidade ucraniana”, afirmou.

“Ainda há milhares de crianças ucranianas que não regressaram a casa. Quanto mais tempo permanecerem sob controlo russo, maiores são os riscos que correm.”

Os embaixadores da UE analisaram na quarta-feira as propostas de inclusão nas listas, na primeira reunião desde a pausa de verão.

“Esta é uma questão humanitária que diz respeito a toda a comunidade internacional. Cada criança que regressa demonstra que a ação internacional coordenada pode fazer a diferença, enquanto medidas como estas enviam uma mensagem clara de que estes crimes não ficarão sem resposta”, afirmou Maksymov.

As novas sanções estão a ser preparadas antes de uma conferência da Coligação Internacional para o Regresso das Crianças Ucranianas, em Toronto, no Canadá, a 28 e 29 de setembro.

“Através da Coligação Internacional para o Regresso das Crianças Ucranianas, os governos e parceiros internacionais podem apoiar os esforços para garantir o regresso seguro destas crianças e, ao mesmo tempo, reforçar os mecanismos internacionais que protegem as crianças em conflitos armados”, disse Maksymov.

Bruxelas já tinha visado anteriormente os envolvidos na deportação e assimilação forçada de menores ucranianos pela Rússia, com nomes individuais incluídos em anteriores pacotes de sanções.

Em maio, os países da UE colocaram na lista negra 16 indivíduos e sete entidades devido à deportação ilegal e transferência forçada de crianças ucranianas, incluindo a sua doutrinação, educação militarizada e adoção ilegal.

Após a apresentação de quarta-feira, é ainda necessário trabalho técnico para finalizar as novas listas, incluindo verificações jurídicas destinadas a garantir que resistem a eventuais impugnações em tribunal.

O Serviço Europeu de Ação Externa partilhou também com os Estados-membros uma lista de 1.600 indivíduos e entidades que contribuem diretamente para o esforço de guerra da Rússia, parte de uma mudança mais ampla, que afasta o enfoque em grandes pacotes de sanções setoriais.

Ucrânia: quantas crianças estão na Rússia?

A Ucrânia confirmou a deportação ou transferência forçada de mais de 20.500 crianças, embora se considere que a verdadeira dimensão seja bastante maior.

O Humanitarian Research Lab da Universidade de Yale estima que o número possa aproximar-se dos 35.000, enquanto Moscovo sugeriu abertamente que poderá chegar aos 700.000.

O Institute for the Study of War, sediado nos Estados Unidos, afirmou que é quase impossível verificar o número real.

A Euronews noticiou anteriormente que as autoridades de ocupação impostas pela Rússia em regiões ucranianas criaram um “catálogo” online de crianças ucranianas, oferecendo-as para “adoção” forçada através do departamento de educação.

De acordo com estas informações, os menores eram organizados e classificados para que os utilizadores pudessem “filtrá-los” por idade, sexo e características físicas, como a cor dos olhos e do cabelo. As crianças eram ainda descritas em termos de traços de personalidade, com algumas a serem rotuladas como “obedientes” ou “calmas”.

O regresso de uma única criança pode demorar anos, desde o momento em que as autoridades ucranianas a identificam até ao seu eventual retorno a casa.

Quase todos os regressos até agora foram mediados por um terceiro Estado, nomeadamente o Qatar, a África do Sul e o Vaticano.

Em março, as Nações Unidas afirmaram que a deportação e transferência forçada de crianças ucranianas para a Rússia constitui um crime contra a humanidade e um crime de guerra.

“A Bring Kids Back UA continuará a trabalhar com os nossos parceiros ucranianos e internacionais para garantir que estas crianças regressem em segurança às suas famílias e à sua terra natal”, afirmou Maksymov.

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