Espanha surge como segundo país da UE na convocatória Marie Sklodowska-Curie COFUND 2026, com cinco projetos que trarão 121 investigadores a universidades e centros espanhóis.
Espanha volta a posicionar-se entre os grandes da ciência europeia. A Comissão Europeia divulgou os resultados da convocatória Marie Sklodowska-Curie Actions (MSCA) COFUND 2026 e o país surge como segundo da UE, quer em número de projetos financiados quer em retorno financeiro.
O COFUND é o mecanismo através do qual as Ações Marie Sklodowska-Curie cofinanciam programas institucionais, regionais, nacionais e internacionais, para impulsionar a formação, a mobilidade e a carreira do pessoal de investigação.
O seu impacto vai além da simples injeção financeira: ajuda a criar ou melhorar programas de doutoramento e de integração pós-doutoral e aproxima as instituições dos padrões europeus de recrutamento e desenvolvimento profissional.
Cinco projetos, coordenados por instituições espanholas, foram selecionados para repartir entre si 17,2 milhões de euros de financiamento europeu, um retorno de 17,73% sobre o conjunto da UE-27.
Quatro desses programas destinam-se a pessoal investigador pós-doutoral e um a formação pré-doutoral e, em conjunto, vão permitir integrar 121 investigadores e investigadoras em universidades e centros de investigação espanhóis, em áreas que vão da exploração planetária à saúde global.
A Universidade de Valladolid vai liderar o EUROMARS-LEAD, um programa pós-doutoral centrado na exploração planetária e na procura de vida para lá da Terra. A Universidade da Coruña vai lançar o INTALENT, destinado a reforçar a investigação interdisciplinar e intersetorial e a atratividade internacional do seu ecossistema científico.
O Conselho Superior de Investigações Científicas (CSIC), agência do Estado espanhol dedicada ao fomento da investigação científica e tecnológica, vai coordenar o BRIGHT, focado em diferentes domínios da saúde global, enquanto a Universitat Autònoma de Barcelona vai desenvolver o INTEGRA-OH, o único programa doutoral espanhol selecionado em toda a convocatória, dedicado aos desafios que ligam a saúde humana, animal e ambiental.
Fecha a lista a Universidade de Oviedo, com o ASTRA, um programa pós-doutoral que abrangerá saúde e biotecnologia, tecnologias digitais, património e cultura, bem como energia limpa e recursos naturais.
Uma convocatória muito concorrida
O resultado espanhol ganha mais peso se olharmos para o contexto: em toda a convocatória MSCA COFUND 2026, Bruxelas vai distribuir 105,5 milhões de euros por 29 programas de excelência (15 de formação doutoral e 14 de integração pós-doutoral).
A Agência Executiva Europeia de Investigação recebeu 141 propostas, das quais 136 chegaram a ser avaliadas, com uma taxa de sucesso de 21%. Espanha concentra cinco desses 29 programas, mais de 17% do total.
O Ministério da Ciência, Inovação e Universidades enquadra estes resultados no âmbito do “Choose Spain”, uma aposta para tornar o país num destino competitivo para a carreira científica.
Por detrás destes números existe um trabalho de acompanhamento: a Fundação Espanhola para a Ciência e a Tecnologia (FECYT), a Fundação para o Conhecimento madri+d e o CSIC gerem os Pontos Nacionais de Contacto das MSCA, que este ano organizaram uma jornada com a própria Agência Executiva Europeia de Investigação, e promoveram um encontro de investigadores de programas COFUND em Espanha e responderam a mais de 70 consultas especializadas. A próxima convocatória, MSCA COFUND 2027, abre a 8 de dezembro.