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Singapura: primeiro-ministro aumenta salário em 1,1 milhões de euros após primeira subida em 15 anos

O primeiro-ministro de Singapura, Lawrence Wong, fala durante uma conferência de imprensa em Jacarta, Indonésia, segunda-feira, 6 de julho de 2026.
Primeiro-ministro de Singapura, Lawrence Wong, fala numa conferência de imprensa em Jacarta, Indonésia, segunda-feira, 6 de julho de 2026. Direitos de autor  2026 The Associated Press. All rights reserved.
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De Gael Camba
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Lawrence Wong anunciou no Parlamento, na terça-feira, aumentos salariais, os primeiros para os ministros em 15 anos. A remuneração de referência do primeiro-ministro deverá aumentar 64%, para 3,6 milhões de dólares de Singapura, cerca de 2,4 milhões de euros por ano.

Os ministros de Singapura, já entre os mais bem pagos do mundo, vão ter um aumento salarial pela primeira vez em 15 anos. O primeiro-ministro Lawrence Wong justificou a medida com a necessidade de atrair profissionais de topo para a política.

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Wong anunciou no Parlamento, na terça-feira, que, com o novo modelo salarial, a remuneração anual de referência de um ministro do escalão mais baixo vai passar para 1,8 milhões de dólares de Singapura, cerca de 1,2 milhões de euros, face aos atuais 1,1 milhões de dólares, cerca de 747 mil euros.

Já o salário de referência do primeiro-ministro vai aumentar de 2,2 para 3,6 milhões de dólares de Singapura, o equivalente a 2,4 milhões de euros, acrescentou.

A remuneração dos ministros é há muito um tema politicamente sensível na cidade-Estado, sobretudo perante as preocupações com o custo de vida. Em 2025, a remuneração mensal bruta mediana dos residentes com emprego a tempo inteiro era de 5.775 dólares de Singapura, cerca de 3.924 euros, segundo dados oficiais.

Os aumentos foram recomendados por um comité independente.

Wong salientou, no entanto, que os ministros não vão receber de imediato a totalidade do aumento. A partir de 15 de outubro, terão um ajustamento pontual de até 9%, consoante a situação de cada um, incluindo o desempenho.

Wong adiantou ainda que vai doar a totalidade do seu aumento salarial a instituições de solidariedade ao longo dos próximos cinco anos.

Aumento salarial dos ministros divide opiniões

Os singapurenses manifestaram, na quarta-feira, opiniões divergentes sobre os fortes aumentos salariais dos dirigentes políticos. Alguns consideram que as exigências da governação justificam a subida, enquanto outros questionam o valor do aumento e apelam à transparência.

May Goh, de 69 anos, reformada da indústria de semicondutores, considera que os ministros merecem os aumentos. "Acho que as responsabilidades deles são muito grandes. Estão a fazer um bom trabalho até agora, comparando com outros países", afirmou.

Uma trabalhadora de 32 anos na área da cibersegurança, na zona empresarial, considera os aumentos justos. "Sinceramente, eles são, basicamente, os CEOs do mundo político", afirmou.

Outros mostraram-se mais cautelosos. Um consultor de tecnologias de informação, de 26 anos, considerou os aumentos "muito acentuados".

"Quando se vê um aumento salarial tão grande, pensamos: 'Uau, é mesmo muito dinheiro'. Nós nem gastamos tanto", afirmou.

Um reformado de 69 anos, embora apoie a medida, pediu mais transparência quanto aos valores.

"Gostava que fossem um pouco mais claros e transparentes em relação a estes valores, incluindo os bónus", afirmou.

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