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Quando as empresas fazem o bem

De  Paul Hackett
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Quando as empresas fazem o bem
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Quando se trata de vestuário, as opções para pessoas com deficiência são muitas vezes escassas. Roupa pouco prática, mal ajustada e sem estilo - frequentemente, é tudo o que está disponível.

A empresa esloveno-croata UCQC está a tentar mudar isso, criando uma moda funcional, moderna e acessível para os utilizadores de cadeiras de rodas.

Hedvig Af Ekenstam, cofundadora da empresa, explica: "Estou na indústria da moda, conhecemos alguns utilizadores de cadeiras de rodas pelo caminho e vimos que a roupa pode fazer a diferença. Fizemos aqui, por exemplo, um casaco para o Luca que ele vai poder fechar, o que acontece pela primeira vez em muitos anos. Isso fez-nos abrir os olhos, por isso estamos aqui hoje", referindo-se ao atleta paralímpico Luka Plavčak: "O casaco é ótimo. Foi a primeira vez em sete anos que fechei o meu próprio casaco. Por isso, foi uma coisa importante para mim. Isso foi possível graças aos fechos adaptáveis. Penso que é um produto muito necessário na comunidade de deficientes", diz o jovem utilizador de cadeira de rodas.

Bolsos, fechos, botões, ou simplesmente o corte de uma peça de vestuário, podem criar problemas reais para os utilizadores de cadeira de rodas. Características nas quais esta empresa pensou cuidadosamente.

Mas não se trata apenas de funcionalidade: É dada igual importância à moda. Martina Smodiš é paratleta de dança: "O que eu gosto nestas roupas é que são feitas em colaboração com os utilizadores de cadeiras de rodas, pelo que oferecem exatamente as adaptações de que precisamos, mas também são elegantes e chiques e isso é tudo o que um jovem adulto deseja", diz.

A UCQC está empenhada em fazer uma diferença positiva. Mas também acredita ter detetado uma lacuna no mercado e uma oportunidade potencial.

"Só na Europa, há cerca de 5 milhões de utilizadores de cadeiras de rodas, que são esquecidos pela indústria da moda", segundo Hedvig Af Ekenstam.

Ajuda europeia

A firma começou graças a uma iniciativa da União Europeia chamada Worth Project, que fornece treino empresarial, 10.000 euros em apoio financeiro e aconselhamento jurídico em coisas como propriedade intelectual, para ajudar as empresas do setor do estilo de vida na Europa a levar as ideias ao mercado.

Para saber mais, falámos com a coordenadora do projecto, Korina Molla.

Entrevista

Euronews: Conte-nos mais sobre o Worth Project. Como é que ele permite às empresas prosperar e ao mesmo tempo perseguir os objectivos sociais?

Korina Molla: Os projetos selecionados beneficiaram do programa de treino, onde receberam formação sobre como fazer um negócio e um plano de marketing, como criar uma marca, como comercializar uma ideia. Tudo isso com o objetivo de pensar, desde o início, o projeto como um negócio, para além do aspeto social.

O que procura exactamente ao selecionar uma empresa?

Procuramos ideias inovadoras com uma elevada componente de design e todas estas ideias devem ser aplicadas aos setores têxtil, da moda, do calçado, do couro, da joalharia, do mobiliário e dos acessórios. Ou seja, as chamadas indústrias do estilo de vida".

Para além do Worth Project, todos os anos o Concurso de Inovação Social da União Europeia atribui prémios às empresas que têm maior impacto na sociedade.

O que é o Concurso Europeu de Inovação Social?

  • O Concurso Europeu para a Inovação Social, organizado pela Comissão Europeia em todos os países europeus, procura novas soluções para os problemas que afetam a sociedade.
  • Todos os anos, uma questão-chave é selecionada como tema do concurso. Os três projetos que oferecem as melhores soluções ganham prémios no valor de 50.000 euros.
  • As edições anteriores exploraram questões como o desafio dos resíduos plásticos, a sustentabilidade na indústria da moda e a criação de mais empregos na Europa.