Defensores da tecnologia argumentam que os veículos autónomos podem ajudar a reduzir os acidentes causados por erro humano, mas os icónicos taxistas pretos de Londres continuam céticos.
Os robotáxis poderão começar a circular nas ruas de Londres ainda este ano.
No entanto, será que a tecnologia funciona e é melhor do que um cérebro humano que tenha memorizado as muitas ruas do centro de Londres?
No norte de Londres, um volante gira suavemente no trânsito sem que ninguém lhe toque. O veículo, desenvolvido pela empresa britânica de condução autónoma Wayve, desloca-se por ruas congestionadas, respondendo em tempo real aos semáforos, ciclistas, cruzamentos e peões.
Um operador de segurança encontra-se sentado ao volante, pronto a intervir se necessário, tal como exigido pela atual regulamentação do Reino Unido — mas é o sistema de IA que está a realizar o trabalho mais difícil.
"A condução autónoma é um dos problemas de engenharia mais complexos com que nos deparamos atualmente. É necessário desenvolver um sistema de segurança crítico que possa ser fabricado em massa em todo o mundo, que seja acessível e que tenha a flexibilidade necessária para funcionar em muitos mercados, o que constitui um problema de engenharia extraordinariamente difícil", afirmou Alex Kendall, cofundador e diretor executivo da Wayve.
"Mas a boa notícia é que a IA permite desenvolver um nível de inteligência que nos permite conduzir em qualquer lugar com hardware de mercado de massas", acrescenta.
A IA nas ruas de Londres
Ao contrário das gerações anteriores de veículos autónomos, que dependiam fortemente de rotas detalhadas pré-mapeadas e de hardware dispendioso, a Wayve afirma que o seu modelo é treinado com enormes quantidades de dados de condução, permitindo ao veículo interpretar o que o rodeia e tomar decisões mais semelhantes às de um condutor humano.
"Na Wayve, acreditamos que existe uma nova abordagem que se afasta do hardware de mapeamento e dos custos associados, adotando uma abordagem de ponta a ponta orientada para a IA. Esta é a mesma abordagem que tornou possível o ChatGPT ou o AlphaGo... Podemos eliminar toda esta complexidade e substituí-la por uma rede neural de ponta a ponta", afirmou Kendall.
No interior do veículo, o papel do operador de segurança passou de condutor ativo a supervisor, passando a monitorizar as decisões do sistema em vez de as corrigir constantemente.
"Acho que passo mais tempo ao volante sem conduzir do que a conduzir, porque o sistema já está nesse nível de autonomia", disse Vitor Velosa, operador de segurança de veículos na Wayve.
Estará Londres preparada para largar totalmente o volante?
Os defensores dos veículos de alta tecnologia argumentam que a autonomia pode, em última instância, melhorar a segurança rodoviária, dado que o erro humano continua a ser a principal causa de acidentes de viação.
No entanto, os icónicos condutores de táxis pretos de Londres, que têm de completar o The Knowledge — um teste que remonta a 1865 e que exige a memorização de 320 percursos pela cidade — não estão totalmente convencidos.
O motorista Frank O'Beirne considera que os taxistas como ele podem adotar novas tecnologias, mas acha que Londres ainda não está preparada para os robotáxis.
"Será uma moda passageira? A tecnologia está a evoluir. Não andamos a cavalo nem em carroças. Estamos, de facto, num veículo elétrico de 75 mil libras. Portanto, estamos sempre a evoluir. Já chegámos lá? De modo nenhum. Não quero ser como um taxista ignorante. Ainda não chegámos lá. Simplesmente não consigo visualizá-lo."
Será "táxi para Wayve" ou os carros autónomos serão uma constante nas ruas de Londres num futuro próximo?
2026 é um ano importante para a condução autónoma. Se o público aprovar, é provável que os carros autónomos tenham vindo para ficar.