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França avança com proibição de redes sociais para menores de 15 anos, mas Parlamento divide-se

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Canva Direitos de autor  Australia became the first country in the world to ban children under 16 from social media in December
Direitos de autor Australia became the first country in the world to ban children under 16 from social media in December
De Pascale Davies
Publicado a Últimas notícias
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O senado francês aprovou a proibição do acesso de crianças às redes sociais, mas persistem divergências jurídicas com o governo sobre como a aplicar.

O Senado francês aprovou um plano para restringir o acesso de crianças com menos de 15 anos às redes sociais, numa altura em que vários países na Europa ponderam proibições nacionais para menores.

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A reforma aprovada na terça-feira é central para a promessa do presidente francês, Emmanuel Macron. A medida retoma uma proposta apresentada em janeiro na Assembleia Nacional.

Mas as duas câmaras do parlamento francês aprovaram versões diferentes da lei.

A Assembleia Nacional (Assemblée Nationale), câmara baixa que em janeiro aprovou o diploma, quer que todas as plataformas de redes sociais apaguem as contas de menores de 15 anos e recusem novos utilizadores abaixo dessa idade. Propõe ainda a proibição de telemóveis nas escolas secundárias.

Já o Senado, que na terça-feira adotou uma versão diferente do projeto, propõe um sistema em dois níveis que divide as plataformas em categorias distintas.

A primeira incluiria as consideradas prejudiciais ao desenvolvimento físico, mental ou moral da criança, e a segunda englobaria as que poderiam ser acedidas com o consentimento dos pais. A nova versão do projeto exclui ainda as plataformas educativas e as enciclopédias online.

A existência de versões divergentes torna provável a necessidade de um compromisso entre as duas câmaras, o que poderá atrasar a aplicação da nova legislação.

Também o método concreto de verificação da idade está em discussão, numa altura em que sistemas desse tipo são debatidos a nível da União Europeia. A sua entrada em vigor só está prevista para o início de 2027.

França: posição face às redes sociais

Há muito tempo que França defende regras mais apertadas para o acesso de crianças aos ecrãs e às redes sociais.

O presidente francês disse, em janeiro, que as emoções de crianças e adolescentes não devem estar "à venda", nem ser manipuladas por plataformas americanas e algoritmos chineses.

Em 2023, os deputados aprovaram uma lei que restringia o acesso às redes sociais a menores de 15 anos e exigia o consentimento dos pais para abertura de contas. Mas o diploma nunca chegou a entrar em vigor, por colidir com o Regulamento dos Serviços Digitais da União Europeia (DSA).

Depois de a UE ter revisto as orientações no ano passado, os Estados-membros ganharam maior margem para definir os seus próprios limites etários para as redes sociais – seja proibindo totalmente o acesso abaixo de determinada idade, seja exigindo o consentimento parental para abrir uma conta.

A Austrália tornou-se, em dezembro, o primeiro país do mundo a proibir o acesso às redes sociais a menores de 16 anos, com o objetivo de os proteger de conteúdos nocivos e de um tempo de ecrã excessivo.

União Europeia responde às proibições das redes sociais

A União Europeia apela também a medidas mais firmes em todo o bloco.

Em novembro, o Parlamento Europeu propôs uma resolução não vinculativa que fixa nos 16 anos a idade mínima, à escala europeia, para aceder às redes sociais, plataformas de partilha de vídeo e assistentes virtuais de IA.

Os eurodeputados sugeriram que crianças entre os 13 e os 16 anos pudessem aceder às plataformas sociais com consentimento dos pais.

O Parlamento propõe, assim, uma idade mínima digital harmonizada na UE de 16 anos para o acesso às redes sociais, plataformas de partilha de vídeo e assistentes virtuais de IA, permitindo, contudo, o acesso de jovens entre os 13 e os 16 anos com consentimento parental.

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