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Plutão volta ao debate: planeta anão pode recuperar estatuto de planeta?

Compósito de imagens em cores realçadas de Plutão (em baixo à direita) e Caronte (em cima à esquerda), captadas pela sonda New Horizons da NASA a 14 de julho de 2015.
Composição de imagens com cores realçadas de Plutão (inferior direita) e Caronte (superior esquerda), captadas pela sonda New Horizons da NASA em 14 de julho de 2015 Direitos de autor  NASA
Direitos de autor NASA
De Alexandra Leistner
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Quase 20 anos depois de o debate parecer encerrado, Plutão volta a estar em destaque

Numa recente audição no Senado sobre o pedido de orçamento da NASA para 2027 (fonte em inglês), o administrador da NASA, Jared Isaacman, fez um comentário que volta a abrir uma questão que muitos na comunidade científica davam por encerrada: deverá Plutão voltar a ser classificado como planeta?

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Desde a sua descoberta, em 1930, Plutão foi considerado o nono planeta do Sistema Solar. Isso mudou em 2006, quando a União Astronómica Internacional (IAU) apresentou uma definição formal do que é um planeta.

Segundo essas regras, um corpo celeste tem de cumprir três critérios: tem de orbitar o Sol, ser suficientemente massivo para que a sua gravidade o molde numa esfera e limpar a sua órbita de detritos.

Plutão cumpre as duas primeiras condições, mas não a terceira. Situado na Cintura de Kuiper, uma região povoada por muitos corpos gelados semelhantes, não tem a dominância gravítica necessária para limpar a sua órbita. Como resultado, a IAU reclassificou-o como «planeta anão».

A questão voltou a surgir no final da audição no Senado, quando o senador republicano Jerry Moran, do Kansas, levantou o tema. Para Moran, a pergunta é pessoal: Plutão foi descoberto por Clyde Tombaugh, natural do Kansas.

Isaacman respondeu dizendo que está «claramente no campo» dos que defendem a recuperação do estatuto de planeta para Plutão. Acrescentou que a NASA está a trabalhar em artigos científicos que gostaria de fazer circular pela comunidade científica para relançar este debate.

Parte deste interesse renovado pode dever-se a desenvolvimentos da última década. Em julho de 2015, a sonda New Horizons, da NASA, enviou as primeiras imagens de perto de Plutão, revelando um mundo surpreendentemente complexo. As fotografias mostraram montanhas, glaciares de gelo de azoto e uma superfície geologicamente diversa, características que puseram em causa as suposições anteriores sobre o planeta anão.

Ainda assim, apesar destas descobertas, a [IAU](https://www.iau.org/IAU %28fonte em inglês%29/IAU/About/About.aspx?hkey=d6fa2a14-dc07-4a62-b6c6-3dec9120a679), a única autoridade internacionalmente reconhecida para atribuir designações a corpos celestes, não voltou a rever a decisão tomada em 2006.

Para já, Plutão continua oficialmente classificado como planeta anão. Uma eventual mudança desse estatuto dependerá da força dos argumentos científicos que a NASA venha a apresentar em breve.

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