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Filme contundente sobre a OpenAI resgatado por estúdio independente após recusa da Amazon

Ficheiro - O CEO da OpenAI, Sam Altman, fala com um CEO à margem da cimeira do G7, em 17 de junho de 2026, em Évian-les-Bains, França.
ARQUIVO - O CEO da OpenAI, Sam Altman, fala com outro CEO à margem da cimeira do G7, em 17 de junho de 2026, em Évian-les-Bains, França. Direitos de autor  Copyright 2026 The Associated Press. All rights reserved.
Direitos de autor Copyright 2026 The Associated Press. All rights reserved.
De Una Hajdari
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A Neon comprou o drama implacável de Luca Guadagnino sobre Sam Altman, semanas depois de a Amazon abandonar o filme quase concluído após o acordo de 50 mil milhões com a OpenAI.

A distribuidora independente Neon adquiriu "Artificial", o drama com elenco de luxo de Luca Guadagnino sobre Sam Altman e a OpenAI, depois de a Amazon MGM Studios ter abandonado abruptamente o filme quase terminado no início deste mês.

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A decisão é amplamente vista como consequência da nova parceria de 50 mil milhões de dólares (46 mil milhões de euros) da Amazon com a empresa de IA.

"Artificial" tem Andrew Garfield no papel de Altman, Monica Barbaro como a antiga diretora de tecnologia da OpenAI, Mira Murati, Yura Borisov como o cofundador Ilya Sutskever e Ike Barinholtz como Elon Musk.

Com argumento de Simon Rich, antigo guionista do Saturday Night Live, o filme tem sido apresentado como uma espécie de "A Rede Social" da era da inteligência artificial – uma referência ao drama de 2010 de David Fincher sobre a fundação do Facebook e a amarga rutura entre os seus cofundadores.

"Artificial" reconstitui o frenético fim de semana de 2023 em que Altman foi demitido pelo conselho de administração da OpenAI e reintegrado poucos dias depois.

Foi rodado em São Francisco e em Itália e assinalou a terceira colaboração de Guadagnino com a Amazon MGM, depois de "Challengers" e "After the Hunt".

Acordo demasiado grande para ser ignorado

O realizador quebrou o silêncio no talk show italiano Otto e Mezzo, apresentando a saga como sintoma de algo maior do que um simples cancelamento de estreia.

Defendeu que uma pequena "oligarquia tecnológica" exerce hoje um "controlo verdadeiramente radical" sobre a identidade de "lugares como os Estados Unidos e o mundo inteiro", apontando as desigualdades gritantes que viu enquanto filmava praticamente à porta do Vale do Silício, em São Francisco.

O momento da decisão é aqui a chave da história. A Amazon retirou o filme poucos meses depois de finalizar uma ampla parceria com a OpenAI, anunciada no fim de fevereiro.

O acordo será concretizado em duas fases: 15 mil milhões de dólares (13 mil milhões de euros) pagos de imediato em ações preferenciais da Série C e mais 35 mil milhões de dólares (31 mil milhões de euros) ligados a metas que incluirão, segundo se relata, a OpenAI atingir determinados marcos técnicos ou concluir uma oferta pública inicial.

O mesmo acordo ampliou o contrato de serviços de cloud já existente entre a OpenAI e a Amazon Web Services (AWS) para cerca de 138 mil milhões de dólares (121 mil milhões de euros) e tornou a AWS distribuidora exclusiva, enquanto terceiro, da Frontier, a plataforma empresarial da OpenAI.

A OpenAI comprometeu-se ainda a processar cargas de trabalho equivalentes a dois gigawatts em Trainium, o chip de IA desenvolvido internamente pela Amazon como alternativa mais barata às GPUs da Nvidia.

A Amazon limitou-se a dizer que "Artificial" ficaria "melhor servido se fosse lançado por outro estúdio", elogiou Guadagnino como um "realizador premiado" e insistiu que o tema do filme e o retrato pouco lisonjeiro de Altman nada tiveram a ver com a decisão.

Poucos, no setor, acreditam nessa versão.

Até que ponto é pouco lisonjeiro

As exibições de teste terão corrido bem – embora não porque o público tenha saído a gostar das figuras retratadas.

Uma fonte que viu o filme disse que Altman e Musk surgem como as personagens menos simpáticas, aquelas de que os espectadores "gostariam menos".

Um potencial comprador que o visionou disse ao podcaster Matt Belloni que era "sombrio" e "pessimista", deixando o público inquieto com o futuro da humanidade. A própria Amazon terá concluído que o resultado final era mais sombrio do que o guião sugeria.

Depois da saída da Amazon, o filme tornou-se a batata quente do momento em Hollywood.

A Netflix e a Focus Features declinaram. A A24 exibiu-o, mas nunca confirmou interesse – sublinhe-se que o estúdio é financiado pela Thrive Capital, de Josh Kushner, que tem um lugar no conselho da OpenAI e está entre os seus maiores investidores, um lembrete de que a Amazon está longe de ser a única empresa com interesses diretos no jogo da IA.

A Clockwork, etiqueta da Warner Bros., também se afastou, antes de a Mubi e a Neon surgirem como principais candidatas.

Próximos passos

Este resgate leva o filme de Guadagnino para um estúdio numa fase extraordinária: a Neon apoiou os últimos sete vencedores consecutivos da Palma de Ouro em Cannes, de "Parasite", em 2019, até ao "Fjord" deste ano, e já levou por duas vezes um vencedor de Cannes até ao Óscar de Melhor Filme, com "Parasite" e "Anora".

A Neon afirma que vai lançar "Artificial" na corrida aos prémios deste ano, com uma estreia em festival ainda por confirmar.

Entretanto, o contexto continua a mudar.

A OpenAI apresentou confidencialmente documentação para uma entrada em bolsa que poderá avaliar a empresa em mais de 850 mil milhões de dólares (745 mil milhões de euros) – uma das maiores ofertas públicas iniciais de sempre no setor tecnológico –, sendo que a tranche restante de 35 mil milhões de dólares (31 mil milhões de euros) da Amazon dependerá, em parte, de essa operação se concretizar.

Para um filme sobre quem acaba a controlar uma tecnologia transformadora e disruptiva, o próprio percurso atribulado até chegar às salas tem-se revelado, de forma notável, em sintonia com o tema.

Outras fontes • AP

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