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Procura de IA mantém preços de memória elevados num aperto de chips “RAMaggedon”

Arquivo - Um novo portátil de gaming é apresentado na sede da LG North America em Englewood Cliffs, Nova Jérsia, em 5 de janeiro de 2022.
ARQUIVO - Novo portátil de jogos em exibição na sede da LG North America, em Englewood Cliffs, Nova Jérsia, em 5 de janeiro de 2022 Direitos de autor  AP Photo
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De Angela Barnes
Publicado a Últimas notícias
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O aumento dos preços de bens como portáteis e smartphones, e possivelmente em breve dos automóveis, tornou-se um efeito indesejado da febre da inteligência artificial, e a pressão está longe de acabar.

O diretor financeiro da Samsung Electronics afirmou que a escassez de microchips usados para armazenar dados digitais deverá agravar-se em 2027 e manter-se apertada até 2028.

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O aperto foi apelidado de “RAMaggedon”, numa alusão aos componentes conhecidos como RAM, ou “random-access memory”, memória de acesso aleatório.

A situação resulta da mudança das fabricantes de chips para a produção de memória de grande largura de banda (HBM), um tipo mais avançado de memória de computador, muito procurado para treinar e executar ferramentas de inteligência artificial.

Os produtos expostos na In-Technology Services — um dos muitos pequenos vendedores instalados no Wan Chai Computer Centre, em Hong Kong — destinam-se a informar clientes que “não sabem o que aconteceu”, explicou à AFP o responsável Wade Lam.

As lojas do centro vendem todo o tipo de equipamento tecnológico, desde componentes de computador a gadgets e consolas de jogos.

Ken Tam, responsável da Videocom Computer, especializada em computadores personalizados, disse que o negócio caiu para metade desde que os preços começaram a subir em setembro.

Antes, 16 gigabytes de RAM custavam entre 300 e 400 dólares de Hong Kong (35 a 45 euros), mas o preço já chegou aos 1500 dólares de Hong Kong, acrescentou.

“Quando de repente fica tão caro, os clientes criam uma barreira psicológica”, disse Tam à AFP.

“Se precisarem mesmo, vão comprar”, mas caso contrário esperam ou “baixam a fasquia” e optam por um chip de memória com desempenho inferior, acrescentou.

China: concorrência na memória RAM

A analista Ellie Wang, da empresa de estudos de mercado TrendForce, sediada em Taiwan, afirmou que os preços da memória para PCs e smartphones estão cerca de cinco a seis vezes acima dos de há um ano.

O boom da inteligência artificial trouxe lucros elevados e fortes valorizações em bolsa às três maiores fabricantes de chips de memória do mundo: as sul-coreanas Samsung Electronics e SK hynix, e a norte-americana Micron.

Em quarto lugar surge a ChangXin Memory Technologies (CXMT), que se tornou na segunda-feira a empresa mais valiosa da China continental quando se estreou no mercado de Xangai, mais um sinal de como o sector está em forte expansão.

Por ser um interveniente relativamente recente, a CXMT “mantém-se numa posição seguidora em matéria de tecnologias de ponta”, explicou à AFP James Zhao, analista principal sénior na Omdia.

A HBM é usada em servidores de centros de dados para suportar outros chips potentes, como os fabricados pelo gigante norte-americano Nvidia, que executam os cálculos extremamente complexos exigidos pelos sistemas de inteligência artificial.

Mas no caso da RAM convencional e do tipo usado em computadores, a chamada DRAM, “o atual ambiente de mercado, limitado pela oferta” pode dar à CXMT “vantagens de quem chega mais tarde”, acrescentou.

Num centro comercial noutra zona de Hong Kong, o cliente Henry Wong, banqueiro de investimento, contou que preferiu aumentar a RAM de um portátil mais antigo em vez de comprar um novo, com especificações ainda melhores.

“Depois de aumentar a memória, percebi que funcionava muito bem e deixei de ter vontade de comprar um novo computador”, disse à AFP.

Custos em alta

Fabricantes de automóveis indicam que estão a enfrentar custos crescentes nos sistemas informáticos instalados nos veículos, o que poderá em breve fazer subir o preço dos modelos novos.

No bairro tecnológico de Akihabara, em Tóquio, Charles Brousse, designer gráfico de 30 anos e construtor de PCs personalizados, oriundo da Bélgica, afirmou que os preços da RAM, das placas gráficas e das placas-mãe atingiram “níveis ridículos”.

Para o seu serviço “PC & Chill”, Brousse não compra peças para montar antecipadamente as máquinas, porque fica demasiado caro. Em vez disso, pede aos clientes que adquiram eles próprios os componentes, que depois monta.

A escassez de chips está a levar as pessoas a comprarem portáteis mais baratos em vez de computadores de secretária, que podem durar até uma década, explicou Brousse, que se encontrava em Tóquio em lua-de-mel.

“Não tenho a certeza de que isso seja positivo; as pessoas acabam por comprar produtos com vidas úteis mais curtas, o que alimenta um ciclo de consumo.”

Brousse acrescentou que o facto de tudo isto ser impulsionado pela “bolha especulativa” da inteligência artificial também é frustrante, “porque sou designer gráfico de profissão, por isso a IA tem um impacto real na minha área profissional”.

Outras fontes • AFP

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