UNESCO apela às escolas que proíbam smartphones nas salas de aula

Em vez de depender da tecnologia para educar as crianças, a educação deve continuar a centrar-se na interação humana, recomenda a UNESCO.
Em vez de depender da tecnologia para educar as crianças, a educação deve continuar a centrar-se na interação humana, recomenda a UNESCO. Direitos de autor Canva
De  Giulia Carbonaro
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Artigo publicado originalmente em inglês

Agência das Nações Unidas diz que mesmo a simples proximidade de um smartphone tem sido associada à distração dos alunos na sala de aula

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O novo relatório da UNESCO, "A tecnologia na educação", alerta para a utilização excessiva de aparelhos eletrónicos como os smartphones e os computadores na educação. 

Os benefícios que estas tecnologias trazem desaparecem quando são utilizadas em excesso ou sem a orientação de um professor, alerta a agência da ONU.

"A revolução digital tem um potencial imensurável, mas, tal como foram feitos avisos sobre a forma como a sociedade deve usar as tecnologias, deve ser dada a mesma atenção à forma como estas são utilizadas na educação", considera Audrey Azoulay, diretora-geral da UNESCO.

"A tecnologia deve melhorar, e não prejudicar, as experiências de aprendizagem e o bem-estar de alunos e professores". 

O relatório adverte que, embora as tecnologias na sala de aula possam ser benéficas na educação dos alunos, também podem ter um impacto negativo se forem utilizadas de forma inadequada ou excessiva, como no caso dos smartphones.

"Os dados de avaliação internacional em grande escala, fornecidos, por exemplo, pelo Programa Internacional de Avaliação de Estudantes, sugerem uma ligação negativa entre a utilização excessiva das tecnologias de informação e comunicação e o desempenho dos estudantes", realça a UNESCO.

A agência escreve que em 14 países, a mera proximidade de um dispositivo móvel distrai os alunos e tem um impacto negativo na aprendizagem.

Menos de uma em cada quatro nações em todo o mundo proibiu a utilização de smartphones nas escolas.

Entre os países que proibiram o uso de smartphones estão França - que introduziu a medida em 2018 -, Itália, Finlândia e Holanda - que vai introduzir a proibição no próximo ano.

A UNESCO recomenda uma proibição global dos smartphones na sala de aula.

Temos de ensinar as crianças a viver com e sem tecnologia; a tirar o que precisam da abundância de informação, mas a ignorar o que não é necessário; a deixar a tecnologia apoiar, mas nunca suplantar as interações humanas no ensino e na aprendizagem.
Manos Antoninis
Diretor da equipa que elaborou o relatório

"Precisamos de aprender com os erros do passado na utilização da tecnologia na educação, para não os repetirmos no futuro", acredita Manos Antoninis, diretor da equipa que elaborou o relatório.

Ênfase na interação humana

A UNESCO desconfia do impacto benéfico da tecnologia na sala de aula. 

As provas a favor deste argumento provêm sobretudo dos países mais ricos do mundo - como o Reino Unido - ou "daqueles que tentam vender" a tecnologia, diz a agência. Em vez de depender da tecnologia para educar as crianças, a educação deve continuar a centrar-se na interação humana.

Nos últimos 20 anos, em muitas salas de aula, o papel foi substituído por ecrãs e os estudantes trocaram as pesadas enciclopédias pela Wikipédia - que teve 244 milhões de visualizações de páginas por dia em 2021, segundo a UNESCO. 

A pandemia da COVID-19 acelerou a revolução digital nas salas de aula, obrigando milhões de estudantes e professores em todo o mundo a fazer a transição para o ensino online.

De acordo com a agência da ONU, em 2022, cerca de 50% das escolas secundárias do mundo estavam ligadas à Internet para fins pedagógicos.

No entanto, embora algumas mudanças devam ser aceites, o relatório salienta que devemos debater até que ponto queremos que a tecnologia ocupe espaço na sala de aula. "Demasiada atenção à tecnologia na educação tem normalmente um custo elevado", lê-se no estudo.

Os recursos gastos em tecnologia deveriam ser gastos em salas de aula, professores e manuais escolares para todas as crianças dos países de baixo e médio-baixo rendimento que não têm acesso a estes recursos, para que também elas possam atingir as competências mínimas de aprendizagem.

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Para além disso, a UNESCO alerta para o facto de os benefícios da tecnologia na educação não serem distribuídos de forma equitativa, sendo normalmente negada às crianças desfavorecidas a oportunidade de tirar partido da mesma.

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