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Descobertas bactérias de 5.000 anos resistentes a antibióticos modernos

Investigador do laboratório de virologia da Universidade de Medicina Tropical desenvolve um teste
Investigador de virologia da Universidade de Medicina Tropical trabalha no desenvolvimento de um teste. Direitos de autor  Copyright 2021 The Associated Press. All rights reserved.
Direitos de autor  Copyright 2021 The Associated Press. All rights reserved.
De Marta Iraola Iribarren
Publicado a Últimas notícias
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Uma estirpe de bactérias encontrada numa gruta gelada na Roménia mostra resistência a dez antibióticos modernos, segundo um novo estudo.

Bactérias congeladas preservadas há 5.000 anos numa gruta subterrânea revelaram-se resistentes a antibióticos modernos, segundo investigadores. Nas profundezas da gruta de gelo de Scărișoara, uma das maiores da Roménia, preservadas sob uma camada de gelo com 5 000 anos, cientistas descobriram uma estirpe de Psychrobacter, designada SC65A.3 – bactérias resistentes a antibióticos modernos.

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As bactérias conseguem sobreviver milhares de anos em condições extremas: sob camadas antigas de gelo, no permafrost, no fundo do mar ou em lagos glaciais.

Estas bactérias seguem as suas próprias regras, adaptadas para garantir a sobrevivência e a persistência ao longo do tempo.

Agora, investigadores romenos concluíram que as estirpes SC65A.3 de Psychrobacter – bactérias adaptadas a ambientes frios – são resistentes a dez antibióticos modernos de 8 classes diferentes.

“A estirpe bacteriana Psychrobacter SC65A.3 isolada da gruta de gelo de Scărișoara, apesar da sua origem ancestral, revela resistência a múltiplos antibióticos modernos e transporta mais de 100 genes associados à resistência”, afirmou Cristina Purcarea, autora do estudo e investigadora no Instituto de Biologia de Bucareste da Academia Romena.

O bloco de gelo da gruta tem 100 mil metros cúbicos e cerca de 13.000 anos, sendo considerado o maior e mais antigo bloco de gelo subterrâneo.

A equipa de investigação retirou um testemunho de gelo com 25 metros da área da gruta conhecida como Grande Sala. Ao analisar fragmentos de gelo desta zona, isolou várias estirpes bacterianas e sequenciou os respetivos genomas para determinar que genes permitem às estirpes sobreviver a baixas temperaturas e quais lhes conferem resistência a antimicrobianos.

Gruta de Gelo de Scărișoara, na Roménia.
Gruta de Gelo de Scărișoara, na Roménia. Paun V.I.

Purcarea acrescentou que os antibióticos a que foi detetada resistência são amplamente utilizados em terapêuticas orais e injetáveis para tratar várias infeções bacterianas graves na prática clínica, como tuberculose, colite e infeções do trato urinário (ITU).

O estudo refere que trabalhos anteriores analisaram outras estirpes de bactérias Psychrobacter, sobretudo pelo seu potencial biotecnológico, mas os perfis de resistência a antibióticos destas bactérias permanecem em grande parte desconhecidos.

“Estudar microrganismos como o Psychrobacter SC65A.3, recuperado de depósitos de gelo de gruta com vários milénios, revela como a resistência aos antibióticos evoluiu naturalmente no ambiente, muito antes de os antibióticos modernos começarem a ser usados”, explicou Purcarea.

Embora a resistência antimicrobiana seja um fenómeno natural, foi acelerada pelo uso crónico de antibióticos, o que promove a diversificação e a disseminação de genes de resistência, salientam os investigadores.

Os resultados, publicados na revista Frontiers in Microbiology, sublinham que, com 20% da superfície da Terra composta por habitats gelados e temperaturas baixas a caracterizarem grande parte da biosfera, compreender microrganismos adaptados ao frio é cada vez mais crucial num contexto de rápidas alterações climáticas.

Resistência antimicrobiana, preocupação crescente

A resistência antimicrobiana (RAM) provoca milhões de mortes todos os anos em todo o mundo. Na Europa, estima-se que seja responsável por mais de 35 mil mortes anuais, número que deverá aumentar nos próximos anos.

Um conjunto de fatores criou o ambiente ideal para a RAM na região, indicou no ano passado o Centro Europeu de Prevenção e Controlo das Doenças (ECDC).

O envelhecimento da população europeia aumenta a vulnerabilidade às infeções, os agentes patogénicos resistentes a medicamentos estão a espalhar-se além-fronteiras, médicos e doentes recorrem em excesso a antibióticos e persistem lacunas graves na prevenção e controlo de infeções.

Uma em cada seis infeções bacterianas no mundo é atualmente resistente aos tratamentos padrão, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS).

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