O governo espanhol aceitou o transporte urgente para as Canárias do médico do MV Hondius, que se encontra em estado grave devido ao hantavírus, no âmbito da operação coordenada com a OMS e a UE para prestar assistência ao navio, que navega atualmente nas águas de Cabo Verde.
O governo espanhol aceitou acolher o médico do navio de cruzeiro de luxo MV Hondius, que se encontra em estado grave devido a um surto de hantavírus detetado a bordo, no âmbito da operação humanitária ativada para o navio nas Ilhas Canárias. O transporte será realizado ainda hoje num avião equipado para assistência médica, na sequência de um pedido formal do governo dos Países Baixos, segundo informou o Ministério da Saúde.
"Como parte da operação, o governo também aceitou o pedido do governo dos Países Baixos para acolher o médico do MV Hondius, que se encontra em estado grave e que será transportado para as Canárias num avião equipado para assistência médica ainda hoje", anunciou o Ministério da Saúde através da rede social X.
A decisão surge depois de a Organização Mundial da Saúde (OMS), em coordenação com a União Europeia, ter solicitado a Espanha que recebesse o navio, em conformidade com o Direito Internacional e com o "espírito humanitário". O Hondius, que partiu da Argentina, encontra-se atualmente em águas de Cabo Verde, onde chegou após ter detetado vários casos de hantavírus durante a sua travessia pelo Atlântico.
O Ministério da Saúde sublinhou que Cabo Verde não dispõe das capacidades necessárias para gerir uma operação desta envergadura e que as Canárias são o ponto mais próximo com meios suficientes.
Paralelamente ao transporte do médico em estado grave, o Centro Europeu de Prevenção e Controlo das Doenças (ECDC) está a realizar uma avaliação exaustiva do navio para determinar que pessoas devem ser retiradas com urgência em Cabo Verde e aquelas que continuarão a viagem para as Canárias.
A OMS informa que a bordo do navio viajam 147 passageiros e tripulantes e que, até ao momento, foram identificados sete casos relacionados com o surto: dois confirmados por laboratório e cinco suspeitos. O balanço inclui três mortos, um doente em estado crítico e três pessoas com sintomas ligeiros.
Segundo a organização internacional, os primeiros sintomas surgiram entre 6 e 28 de abril e caracterizaram-se por febre e distúrbios gastrointestinais, com uma rápida evolução, em alguns casos, para pneumonia, síndrome de dificuldade respiratória aguda e choque.
À exceção das pessoas que apresentem sintomas, os restantes passageiros e tripulantes serão examinados e atendidos de acordo com um protocolo comum elaborado pela OMS e pelo ECDC, assim que o navio chegar ao arquipélago, num prazo estimado de três a quatro dias. Este procedimento prevê circuitos sanitários e de transporte específicos, "evitando qualquer contacto com a população local e garantindo em todos os momentos a segurança do pessoal de saúde", de acordo com um comunicado oficial do Ministério da Saúde.
O governo salientou que informará atempadamente sobre os detalhes do protocolo e a sua implementação. A operação inclui, além disso, o posterior repatriamento de passageiros e tripulantes para os seus países de origem, entre os quais vários cidadãos espanhóis, assim que as avaliações médicas e epidemiológicas estiverem concluídas.
Rastreio de um voo que esteve em contacto com o hantavírus
A OMS está a rastrear mais de 80 passageiros na sequência de um caso de hantavírus num voo com destino a Joanesburgo, no qual viajava uma mulher que veio a perder a vida devido a este vírus. A vítima, de nacionalidade neerlandesa, tinha sido previamente retirada da ilha de Santa Elena após apresentar sintomas.
A organização internacional de saúde confirmou que a mulher, de 69 anos, foi transportada no passado dia 25 de abril num avião operado pela Airlink, no qual viajavam 82 passageiros e seis tripulantes. Faleceu no dia seguinte num hospital, tendo a sua infeção pelo vírus sido confirmada dias depois.
Como é transmitido o hantavírus?
O hantavírus é um grupo de vírus transportados por roedores e transmitidos aos seres humanos principalmente pela inalação de partículas provenientes de excrementos secos, urina ou saliva. O risco aumenta quando estes materiais são agitados e lançados para o ar ou pelo contacto direto com animais infetados.
A infeção pode provocar a síndrome pulmonar por hantavírus, que começa com sintomas como febre, dores de cabeça e musculares, tonturas, calafrios e distúrbios gastrointestinais. Em fases posteriores, pode evoluir para dificuldade respiratória grave e hipotensão, o que torna os casos mais graves numa emergência médica.
O período de incubação situa-se geralmente entre duas e quatro semanas após a exposição, embora possa variar entre uma semana e oito. Não existe um tratamento específico e o vírus pode apresentar-se em diferentes variantes, sendo a americana a mais grave. A transmissão entre pessoas é muito rara e, quando descrita, requer um contacto muito próximo e prolongado.