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Ruanda: efeito Attenborough impulsiona interesse no turismo de gorilas

No Ruanda, o acesso é limitado, as licenças são escassas e o crescimento é controlado para proteger a espécie
No Ruanda, o acesso é controlado, as licenças são limitadas e o crescimento é propositadamente travado para proteger a espécie Direitos de autor  Mike Arney
Direitos de autor Mike Arney
De Rebecca Ann Hughes
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No Ruanda, o acesso é controlado, as licenças são limitadas e o crescimento é deliberadamente travado para proteger a espécie

Em abril, o documentário de David Attenborough "A Gorilla Story" estreou na Netflix.

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O documentário acompanha Pablo, um gorila-das-montanhas filmado pela primeira vez por Attenborough em 1978, seguindo o macho de dorso prateado e as gerações que lhe sucederam, que vivem agora no Parque Nacional dos Vulcões, no Ruanda.

Programas deste tipo já tinham criado aquilo a que se chamou o "efeito Attenborough": em 2017, Blue Planet II desencadeou uma mudança de comportamento à escala global em relação à poluição por plástico e a uma maior procura de experiências orientadas para a conservação.

Mas o modelo de turismo de observação de gorilas do Ruanda é diferente. O acesso é limitado, as licenças são restritas e o crescimento é deliberadamente travado para proteger a espécie.

O destino já está a registar um forte aumento de interesse. Eis como isso se está a refletir no terreno.

Sistema de licenças não se alarga de repente para responder à procura

Ao contrário de alguns destinos de vida selvagem, o Ruanda limita ativamente o acesso. As licenças para ver gorilas estão limitadas a 100 por dia, custam 1 500 dólares (1 300 euros) e são rigorosamente controladas para proteger tanto os animais como o seu habitat.

Em vez de um pico no número de visitantes, o destino está a assistir a uma mudança no comportamento dos viajantes: reservas feitas com mais antecedência, intenção mais firme e um leque mais amplo de perfis.

No Ruanda, as licenças são reservadas antecipadamente por ordem de chegada, as visitas são limitadas a uma hora e apenas oito visitantes podem acompanhar uma família de gorilas de cada vez
No Ruanda, as licenças são reservadas antecipadamente por ordem de chegada, as visitas são limitadas a uma hora e apenas oito visitantes podem acompanhar uma família de gorilas de cada vez Samwel Nsyuka

Lydia Eva Mpanga é fundadora da Nkuringo Safaris (fonte em inglês), um operador turístico com base no Uganda e no Ruanda, com mais de 18 anos de experiência no terreno em turismo de observação de gorilas.

“Quando o interesse global aumenta, o sistema de licenças não se expande de repente para responder a essa procura”, disse à Euronews Travel.

“A observação de gorilas em caminhadas continua a ser rigorosamente controlada. No Ruanda, as licenças são reservadas antecipadamente por ordem de chegada, as visitas são limitadas a uma hora e apenas oito visitantes podem acompanhar uma família de gorilas de cada vez.”

Mas Mpanga está a notar uma mudança nos hábitos de viagem.

“Os nossos consultores verificam agora que cerca de cinco em cada dez clientes que reservam safaris de observação de gorilas optam por fazer duas caminhadas e prolongar a estadia, contra cerca de dois a três em cada dez anteriormente”, acrescenta. “Isto mostra-nos que as pessoas estão a refletir mais seriamente sobre a experiência e a dar-lhe mais espaço dentro do safari.”

Observação de gorilas em caminhadas é cara e exige boa forma física

Para além do limite de números, há outras razões pelas quais grande parte do interesse crescente pela observação de gorilas no Ruanda não se traduz, na prática, numa maior procura no terreno.

“A licença de 1 500 dólares ajuda a manter a experiência limitada, séria e planeada”, explica Mpanga.

“O que constatamos é que este preço tende a atrair viajantes que refletiram cuidadosamente sobre porque querem fazer a caminhada e como a querem fazer.”

O Ruanda associou o elevado preço das licenças à conservação, à gestão de visitantes e às receitas para as comunidades que vivem em redor do parque.

Além disso, acrescenta Mpanga, quem se inspira em documentários de natureza são muitas vezes viajantes que já se preocupam com a vida selvagem, as florestas e a conservação e que provavelmente já ponderavam fazer esta viagem,

“É importante lembrar que a observação de gorilas em caminhadas exige algo de quem participa. É cara, fisicamente exigente, limitada por licenças e moldada por regras que colocam os gorilas em primeiro lugar”, sublinha.

Ver gorilas no ecrã é uma coisa. A viagem real continua a exigir planeamento: licenças, época do ano, itinerário do safari e disponibilidade nos lodges.

“A decisão emocional pode acontecer numa noite, depois de ver o filme. A parte prática costuma demorar muito mais tempo a ser bem estruturada”, afirma Mpanga. “O sistema de reservas para ver gorilas no Ruanda foi concebido para o planeamento antecipado, não para o acesso imediato.”

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