Francesca Albanese insiste que tem "a confiança do Conselho dos Direitos Humanos [da ONU]", numa entrevista ao programa Europe Today da Euronews.
Francesca Albanese, relatora especial da ONU para os Territórios Palestinianos, insistiu no programa matinal Europe Today, da Euronews, na sexta-feira, que não se demitirá do cargo na sequência do que descreveu como acusações "ridículas" do ministro dos Negócios Estrangeiros francês.
Alemanha, França e Chéquia têm vindo a liderar os apelos para que Albanese se demita desde a semana passada, devido a um alegado comentário antissemita sobre Israel que ela nega ter feito, culpando os esforços de desinformação.
Albanese disse à Euronews que as acusações contra ela são "ridículas" e que se destinam a "distrair" dos relatórios que fez, nos quais condenou dezenas de países, incluindo França, pelo seu apoio a Israel.
"Não vamos falar de mim, vamos falar dos sete relatórios condenatórios em que documentei 62 Estados, entre os quais a França, que deram apoio político, estratégico e militar a Israel", disse Albanese à Euronews. "É a isto que França e outros governos têm de responder".
"O facto de haver mais escrutínio sobre algo que eu não disse do que sobre as práticas de um Estado acusado de crimes contra a humanidade e genocídio é revelador", disse Albanese: "A impunidade mata".
Albanese disse à Euronews que não se vai demitir porque mantém "a confiança do Conselho dos Direitos Humanos [da ONU]".
A polémica começou depois de um grupo de deputados franceses ter enviado uma carta ao ministro dos Negócios Estrangeiros, Jean-Noel Barrot, acusando Albanese de ter descrito Israel como "um inimigo da humanidade" durante um fórum organizado pela Al Jazeera (fonte em inglês).
Uma das deputadas envolvidas, Caroline Yadan, citou dois vídeos do fórum para apoiar a alegação.
Um desses vídeos revelou-se entretanto falso. Uma comparação entre o clip editado e a gravação integral do discurso de Albanese indica que o excerto foi manipulado com recurso a inteligência artificial.
Um outro vídeo mostra Albanese a dizer que o apoio financeiro e político a Israel, os algoritmos que amplificam a narrativa pró-apartheid e as armas são o inimigo comum da humanidade. Os apoiantes de Albanese argumentam que ela está a ser alvo de uma campanha de difamação e descrevem-na como "a última barreira à impunidade de Israel".