O ministro da Defesa belga disse à Euronews que a Bélgica não se juntará aos ataques israelitas e americanos contra o Irão, mas dará apoio militar para fins de defesa.
Em declarações ao programa matinal Europe Today, da Euronews, o ministro belga da Defesa, Theo Francken, afirmou que, embora Bruxelas esteja preocupada com a legalidade dos ataques israelitas e norte-americanos ao Irão, que desencadearam um conflito mais vasto no Médio Oriente, a causa geral pode ser defendida.
"Penso que, quando se vê o direito internacional e a sua interpretação ao longo das últimas décadas, estes ataques podem ser problemáticos", disse o ministro.
O ministro sublinhou que compreende as discussões em curso sobre as preocupações relativas à legalidade do lançamento de um ataque conjunto coordenado entre os Estados Unidos e o Irão em vários locais do país, a 28 de fevereiro.
O primeiro-ministro espanhol Pedro Sánchez foi o único líder da UE a contestar diretamente os ataques dos EUA e de Israel, alertando para o facto de poderem aumentar as tensões regionais e "contribuir para uma ordem internacional mais incerta e hostil".
Na quarta-feira, depois de o presidente Trump ter anunciado que iria bloquear o comércio com Espanha devido à relutância de Madrid em apoiar a ofensiva dos EUA contra o Irão ou em permitir a utilização das bases de Rota e Morón.
Na terça-feira à noite, o presidente francês Emmanuel Macron juntou-se a Sánchez na contestação da legalidade dos ataques, afirmando que foram conduzidos "à margem do direito internacional" e que Paris "não os pode aprovar".
No entanto, o ministro da Defesa belga afirmou que os ataques podem ser defendidos e que os fins justificam os meios.
"É uma causa justa tentar decapitar o regime dos Ayatollah, é algo totalmente legítimo", disse Francken à Euronews.
"Não posso apoiar [este] regime. Nem por um segundo. É o regime mais cruel do mundo. Apoiam o Hamas, apoiam e financiam o Hezbollah e os Houthis e todos os atores terroristas no Médio Oriente, mas também na Europa, também aqui em Bruxelas, também na Bélgica".
Oferecer apoio à defesa
Francken confirmou ainda que o Ministério da Defesa belga não está apenas a preparar os repatriamentos, mas também a prestar apoio militar na região do conflito.
"Serão ações defensivas", explicou. "Por exemplo, um país como a Jordânia, que pede ajuda, pode ser ajudado a proteger o seu território".
Francken sublinhou que a Bélgica não se envolverá ativamente no conflito.
"Não é para começar uma guerra [...] ou para participar com Israel e os Estados Unidos. É mais para ajudar as pessoas e os países do Médio Oriente", disse.
Vários países europeus já ofereceram apoio de defesa a Chipre, depois de uma base aérea britânica ter sido alvo de drones de fabrico iraniano na segunda-feira. Tanto a Grécia como França concordaram em enviar fragatas, sendoq eu os franceses irão também enviar sistemas adicionais terrestres, antidrone e antimíssil para o país. A Alemanha também respondeu positivamente a um pedido de envio de um navio de guerra.
Questionado sobre se considera que a UE no seu conjunto deveria fazer mais, Francken explicou que, tal como acontece com as decisões militares, cabe a cada país decidir como responder.
"Isso não é fácil. Penso que a Europa precisa de ser muito clara no apoio a Chipre. Mas, no que diz respeito ao Médio Oriente, é mais bilateral", afirmou.
Ucrânia "continua a ser a prioridade número um"
Francken também comentou a recente interceção e apreensão, pela marinha belga, de um navio-tanque suspeito de fazer parte da frota sombra da Rússia, utilizada para contornar as sanções da UE.
A Bélgica recebeu o apoio do exército francês durante a operação, denominada "Operação Intruso Azul".
A embarcação, denominada Ethera, encontra-se sob apreensão judicial no porto belga de Zeebrugge desde domingo. O governo belga impôs uma caução de 10 020 000 euros ao petroleiro, que só poderá sair do porto após o pagamento da mesma e após uma inspeção que comprove a sua conformidade com a lei.
Esta foi a primeira vez que a Bélgica levou a cabo uma operação deste tipo e Francken disse à Euronews que isto representa um passo em frente nos esforços europeus para atingir a frota de navios de Moscovo.
"É necessário aumentar a pressão sobre o regime de Putin para que as negociações de paz sejam verdadeiras e bem-intencionadas. Atualmente, não é isso que está a acontecer. E penso que a única forma de aumentar a pressão é atuar sobre os seus rendimentos, ou seja, sobre as receitas do petróleo e do gás", explicou o ministro.
"Isso significa que também precisamos de resolver o problema das linhas logísticas, ou seja, o problema da frota sombra. Por isso, vamos continuar nesse caminho."
Questionado sobre se o conflito no Médio Oriente poderá desviar a atenção de Bruxelas da guerra russa na Ucrânia, Francken afirmou que tal não acontecerá.
"Penso que a parte oriental do nosso continente continuará a ser a prioridade número um."