Papa vai reunir-se na segunda-feira com um pequeno grupo de vítimas escolhidas através de programas eclesiais de apoio e reparação, sobretudo o projeto Repara da Arquidiocese de Madrid e outros mecanismos promovidos pela Igreja espanhola.
Papa Leão XIV deixou esta segunda-feira uma mensagem firme aos bispos espanhóis sobre a necessidade de enfrentar os casos de abusos no seio da Igreja, durante a visita à sede da Conferência Episcopal Espanhola (CEE), em Madrid.
Num dos momentos mais significativos da intervenção, o pontífice qualificou este problema como uma “praga” e pediu uma resposta firme por parte da Igreja. Leão XIV sublinhou que quem sofreu estas situações deve estar no centro de qualquer atuação e defendeu que “cada pessoa ferida deve poder encontrar uma escuta sincera, acolhimento, proteção e mudanças reais que conduzam à cura”.
O Papa colocou ainda esta responsabilidade para além da hierarquia eclesiástica e apelou ao conjunto dos fiéis para que se envolva na resposta a esta crise. Neste sentido, afirmou que toda a comunidade católica é chamada a agir perante esta realidade. “A comunidade eclesial é chamada a responder com escuta, verdade, justiça, reparação e um compromisso cada vez mais determinado na prevenção e na cultura do cuidado”, afirmou perante os bispos reunidos na sede da Conferência Episcopal.
Papa reúne-se com vítimas de abusos
As declarações de Leão XIV surgem poucas horas antes do encontro privado que manterá com vítimas de abusos durante a visita a Espanha, um dos momentos mais delicados da agenda. A reunião, que se realizará longe dos holofotes e sobre a qual se conhecem muito poucos pormenores, pretende ouvir em primeira mão os testemunhos das pessoas afetadas e reforçar o compromisso da Igreja com a reparação e a prevenção.
Ainda assim, a reunião tem estado envolta em polémica. Nove associações de vítimas denunciaram, esta segunda-feira, terem sido excluídas do encontro e criticaram a falta de representação de alguns grupos. As organizações reclamaram uma maior participação neste tipo de iniciativa e lamentaram não terem sido informadas nem convidadas a participar na reunião com o pontífice.