Na quinta-feira, o plano de reestruturação da Volkswagen falhou no conselho de supervisão, mantendo dúvidas sobre novos cortes de emprego e encerramentos de fábricas. A empresa quer reduzir a capacidade produtiva e simplificar a gama de modelos.
Representantes dos trabalhadores da Volkswagen no conselho de supervisão travaram um vasto plano de reestruturação numa reunião realizada na quinta-feira, noticiou a Reuters esta sexta-feira, citando fontes da empresa.
A decisão surge numa altura em que o maior construtor automóvel europeu enfrenta lucros em queda, custos em alta e mais concorrência. A Volkswagen indicou esta sexta-feira que as entregas mundiais de veículos recuaram 8,6% em termos homólogos no segundo trimestre, uma descida mais acentuada do que no trimestre anterior.
Cerca do meio-dia na Europa, a cotação da empresa caía 0,6%. Ainda assim, o foco permanecia nas propostas de reestruturação que dividiram o conselho de supervisão.
Enquanto o conselho se reunia na quinta-feira na sede da Volkswagen, em Wolfsburg, o sindicato IG Metall, um dos maiores da Alemanha, organizou protestos coordenados em todo o país para travar um plano que, segundo informações, prevê até 100 000 cortes de postos de trabalho a nível mundial, mais de 15% da força laboral, e o encerramento de quatro fábricas na Alemanha: as unidades da Volkswagen em Hanover, Emden e Zwickau e a fábrica da Audi em Neckarsulm.
Segundo a Reuters, que cita fontes da empresa sob anonimato, estas medidas foram rejeitadas na quinta-feira pelo conselho de supervisão, que integra representantes dos trabalhadores e do estado da Baixa Saxónia. O órgão votou contra a reestruturação proposta pela gestão por 12 votos contra sete, após a oposição dos representantes laborais.
A Volkswagen não fez qualquer referência a eventuais cortes de postos de trabalho ou encerramentos de fábricas no final de quinta-feira. Em vez disso, após a reunião, a empresa apresentou a sua estratégia até 2030, que inclui planos para reduzir para metade o número de modelos oferecidos e cortar até 75% das variantes de veículos, numa tentativa de baixar custos e complexidade, medidas que não necessitam da aprovação do conselho de supervisão.
A Volkswagen afirmou que vai reduzir a capacidade anual de produção para cerca de 9 milhões de veículos, para responder a uma "concorrência fortemente intensificada". Antes da pandemia de Covid-19, a capacidade rondava os 12 milhões de veículos e situa-se atualmente em cerca de 10 milhões.
Outras medidas passam por adaptar melhor produtos e tecnologia aos mercados regionais, ajustar a capacidade de produção à procura e simplificar a estrutura corporativa e a carteira de investimentos do grupo.
O presidente executivo da Volkswagen, Oliver Blume, afirmou numa declaração em vídeo que "a situação global se deteriorou nos últimos 12 meses", apontando para tensões geopolíticas, tarifas, custos elevados, maior regulação e uma concorrência global mais intensa.
Referiu também que a Volkswagen precisa de "eliminar capacidade excedentária", deixando em aberto a possibilidade de encerramento de fábricas a mais longo prazo. Blume acrescentou que "a digitalização, a inteligência artificial e os serviços partilhados vão ajudar a aumentar a produtividade e a rapidez".
Arno Antlitz, diretor financeiro do grupo Volkswagen, afirmou que as reduções de custos já acordadas "não são suficientes no atual contexto económico e geopolítico".
Disse que a empresa planeia melhorar as estruturas de custos dos veículos, "reduzir significativamente os custos gerais", aumentar a eficiência das fábricas e acelerar o desenvolvimento tecnológico e a tomada de decisões.
A Volkswagen emprega cerca de 657 000 pessoas em todo o mundo, mas a empresa não explicou como a redução prevista da capacidade de produção irá afetar a força laboral. Segundo a Reuters, o conselho de trabalhadores da Volkswagen exigiu esclarecimentos sobre os planos de redução de custos da gestão até ao final de sexta-feira.
O grupo tem defendido repetidamente que é necessária uma reestruturação mais profunda, depois de o lucro líquido ter caído 28%, para 1,56 mil milhões de euros, enquanto as receitas recuaram 2,5% em termos homólogos, para 75,7 mil milhões de euros, no trimestre terminado em março de 2026.
"Os próximos anos vão determinar quem terá um papel decisivo na indústria automóvel no futuro", afirmou Blume.