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Mercedes-Benz corta previsão de vendas enquanto lucros sobem apesar da fraqueza na China

Arquivo - Em exposição o novo Mercedes-Benz Classe C elétrico na Hungria, segunda-feira, 13 de julho de 2026.
Arquivo - O novo Mercedes-Benz Classe C elétrico está exposto na Hungria, segunda-feira, 13 de julho de 2026 Direitos de autor  Zsolt Szigetvary/MTI via AP
Direitos de autor Zsolt Szigetvary/MTI via AP
De Doloresz Katanich
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Construtor automóvel alemão de gama alta Mercedes-Benz registou aumento de 22% no lucro operacional do segundo trimestre, mas cortou a previsão anual de vendas de carros devido à fraqueza na China

As ações da Mercedes-Benz subiram mais de 5% em Frankfurt, na manhã de terça-feira, depois de o construtor automóvel ter comunicado um lucro mais elevado no segundo trimestre, alertando ao mesmo tempo que a persistente fraqueza na China irá pesar sobre as vendas anuais de automóveis.

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A empresa apontou “em particular, a evolução negativa do mercado chinês”, ao indicar que as vendas de unidades da Mercedes-Benz Cars deverão ficar ligeiramente abaixo do nível do ano anterior.

Segundo as definições usadas no relatório anual de 2025 do construtor, isto poderá traduzir-se numa queda entre 2% e 7,5% nas vendas anuais de automóveis. Refletindo a revisão em baixa do cenário de vendas, a Mercedes-Benz espera agora que o volume de negócios do grupo fique ligeiramente abaixo do registado no ano passado. Até aqui previa vendas de automóveis e receitas globalmente estáveis.

A Mercedes-Benz divulgou a nova previsão em conjunto com os resultados do segundo trimestre, esta terça-feira.

A empresa registou um resultado operacional de 1,55 mil milhões de euros no segundo trimestre, uma subida de 22% face aos 1,27 mil milhões de euros de há um ano. O volume de negócios recuou 3%, para 32,1 mil milhões de euros, contra 33,2 mil milhões.

Ola Källenius, presidente executivo da Mercedes-Benz Group AG, afirmou: “Apesar de um enquadramento de mercado exigente, mantivemo-nos em linha no segundo trimestre, continuando a avançar no nosso programa de lançamento de produtos. A resposta dos clientes aos novos modelos é forte, com as vendas de veículos elétricos da Mercedes-Benz Cars a aumentarem 51% e as encomendas de BEV na Europa a mais do que duplicarem no trimestre.”

O desempenho global da empresa foi impulsionado pelas atividades de carrinhas e de serviços financeiros. Contudo, o resultado operacional ajustado na divisão principal de automóveis caiu 26%, para 909 milhões de euros, devido ao agravamento da concorrência na China, que penalizou os lucros.

China: vendas de automóveis caem 30%, sobem na Europa

A Mercedes-Benz atribuiu a queda dos resultados na divisão de automóveis ao agravamento das condições de mercado, em especial na China, bem como a uma combinação menos rentável de modelos vendidos e a custos relacionados com atualizações de produto e novos lançamentos. Ganhos de eficiência compensaram parcialmente estas pressões.

As vendas de automóveis totalmente elétricos da Mercedes-Benz aumentaram 51% em termos homólogos, para 52 852 unidades no segundo trimestre, impulsionadas por um crescimento de 87% na Europa. As vendas totais de automóveis subiram 4% na Europa e 10% nos Estados Unidos.

Esta evolução compensou parcialmente uma quebra de 30% na China, onde a concorrência intensa, a procura contida e alterações na gama de modelos da empresa continuaram a afetar as vendas. Excluindo a China, as vendas globais de automóveis aumentaram 2% em termos anuais.

O resultado operacional reportado na divisão de automóveis desceu para 49 milhões de euros, face a 783 milhões. O valor inclui imparidades de 704 milhões de euros associadas a investimentos na China. Estes encargos contabilísticos não implicaram uma saída de caixa correspondente no trimestre e foram excluídos do resultado operacional ajustado.

“O mercado chinês e os clientes na China continuam a ter grande importância estratégica para a Mercedes-Benz”, referiu a empresa em comunicado.

Os construtores alemães de segmento premium também não escaparam à forte concorrência na China, que já afetou o fabricante de grande consumo Volkswagen.

A Porsche anunciou na segunda-feira que irá eliminar mais 5 000 postos de trabalho até 2035, elevando para cerca de 9 000 o total de reduções previstas. A BMW, por seu lado, baixou em junho a previsão de margem de lucro anual na divisão automóvel para entre 1% e 3% e indicou que está a preparar novas medidas de redução de custos.

Para o conjunto do ano, a Mercedes-Benz antecipa que o mercado mundial de automóveis se mantenha fraco. Na Europa, as vendas deverão ficar em linha com o nível do ano passado, enquanto o mercado dos Estados Unidos deverá ser ligeiramente mais pequeno. Na China, prevê-se um mercado significativamente mais fraco do que no ano passado.

Alemanha: Mercedes prepara expansão no setor da defesa

A empresa identificou ainda os veículos de segurança e defesa como uma “área estratégica de desenvolvimento”. Planeia reforçar a sua presença neste setor à medida que os governos respondem a um enquadramento de segurança em transformação.

A Mercedes-Benz indicou que pretende capitalizar mais de 45 anos de experiência no fornecimento de veículos para missões de segurança, socorro e defesa, incluindo versões modificadas dos modelos Classe G, Sprinter e Vito.

No âmbito desta aposta, o construtor assinou um memorando de entendimento com a empresa de defesa TYTAN, sediada em Munique, para estudar uma possível parceria.

As empresas irão “explorar uma possível cooperação na área de aplicações de defesa baseadas em veículos”, incluindo um sistema assente na Classe G para defesa e operações com drones, bem como uma unidade móvel de transporte e comando de drones baseada na Sprinter.

Outras fontes • AFP

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