O antigo ministro húngaro do Comércio Exterior e dos Negócios Estrangeiros anunciou na quarta-feira, no Facebook, que abandona a política e passa a dirigente de topo na construtora automóvel chinesa BYD.
O antigo ministro dos Negócios Estrangeiros da Hungria, Péter Szijjártó, renunciou ao seu lugar no parlamento e assumiu um cargo executivo na fabricante chinesa de automóveis elétricos BYD.
Szijjártó, que ocupou o cargo de chefe da diplomacia húngara durante quase 12 anos sob o mandato do antigo primeiro-ministro Viktor Orbán, escreveu no Facebook que tinha recebido «uma proposta de grande prestígio» da principal fabricante mundial de carros elétricos «para ocupar um cargo internacional».
«A BYD é uma das maiores histórias de sucesso da indústria automóvel dos últimos 20 anos», escreveu Szijjártó. «A partir de hoje, continuarei a trabalhar como responsável pelas relações externas do grupo e pelo desenvolvimento de novas linhas de negócio.»
Szijjártó perdeu o cargo de ministro dos Negócios Estrangeiros depois do líder da oposição, e agora primeiro-ministro, Péter Magyar, ter obtido uma vitória esmagadora nas eleições contra o partido Fidesz, de Orbán, em abril.
Desde então, Szijjártó tem estado ausente na maioria das votações parlamentares e raramente aparece em público ou publica nas redes sociais. Ocupa um lugar no Parlamento desde 2002.
Em 2023, Szijjártó anunciou que a BYD, sua atual entidade patronal, iria abrir a sua primeira fábrica europeia na Hungria — permitindo ao conglomerado contornar os direitos aduaneiros da União Europeia sobre os veículos elétricos chineses, impostos para proteger o setor automóvel nacional do continente.
Enquanto ministro dos Negócios Estrangeiros e do Comércio da Hungria, desempenhou um papel central nas negociações com a BYD para trazer a fábrica para a Hungria e afirmou, na altura, que a decisão surgiu após 224 rondas de negociações entre a empresa e o governo húngaro.
Szijjártó classificou o projeto como «um dos maiores investimentos da história económica da Hungria» e afirmou que o governo iria conceder incentivos financeiros à BYD para a construção da fábrica.
Enquanto estiveram no cargo, Szijjártó e Orbán opuseram-se às tarifas da UE sobre os produtos chineses e procuraram angariar investimentos significativos de Pequim, inaugurando uma série de fábricas chinesas de baterias para veículos elétricos em todo o país.
O governo de Orbán e Pequim também desenvolveram em conjunto um corredor ferroviário entre a Hungria e a Sérvia, que faz parte da iniciativa comercial global chinesa «Belt and Road».
Tensões comerciais entre a UE e a China
O anúncio surge num contexto de tensões comerciais crescentes entre Bruxelas e Pequim, tendo esta última ameaçado repetidamente retaliar contra as medidas da UE destinadas a proteger o seu mercado do excesso de capacidade chinesa.
A UE enfrenta um défice comercial crescente com a China, que, em todo o bloco, atingiu o recorde de mil milhões de euros por dia, e o diálogo com Pequim tornou-se uma prioridade máxima para Bruxelas.
No final de junho, o comissário europeu para o Comércio, Maroš Šefčovič, afirmou que Bruxelas procuraria alcançar resultados «tangíveis» através do diálogo com a China até outubro.
No entanto, tem sido questionado até que ponto esse prazo é exequível. O eurodeputado alemão Bernd Lange (S&D), presidente da Comissão do Comércio do Parlamento Europeu, afirmou que o prazo de outubro estabelecido pela Comissão Europeia nas negociações comerciais com a China «não era de todo realista» se a UE pretendesse um acordo vinculativo.