Libertado sob fiança na segunda-feira, o grupo de cinco jovens britânicos está a ser investigado, com detetives antiterrorismo a analisar “várias linhas de investigação”.
O secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio, afirmou que o incidente envolvendo a detenção de cinco homens sob acusações de crimes relacionados com explosivos e terrorismo perto de uma base da RAF (Royal Air Force, força aérea britânica), no sul de Inglaterra, “envolve claramente a mão de um ator estrangeiro”, mas não apontou qualquer país em concreto.
A polícia antiterrorismo afirmou esta segunda-feira que está a investigar se existe alguma ligação entre o incidente e o Irão.
Rubio afirmou no canal Fox News, na noite de segunda-feira, que “o que poderia ter acontecido no Reino Unido durante o fim de semana é uma situação muito grave”, mas não apresentou provas para sustentar as suas afirmações de que outro país estaria envolvido.
A embaixada do Irão em Londres afirmou, numa publicação na rede X, que “rejeita categoricamente e condena veementemente” as “especulações infundadas e maliciosas” sobre um alegado envolvimento de Teerão.
O grupo de cinco jovens britânicos foi libertado sob fiança na segunda-feira e os inspetores antiterrorismo disseram que estão a seguir “múltiplas linhas de investigação”.
Os homens foram detidos na madrugada de domingo, depois de três carrinhas terem sido avistadas na zona rural perto da RAF Fairford, uma base propriedade do Reino Unido que tem sido utilizada por bombardeiros norte-americanos ao longo de décadas de conflitos no Médio Oriente, incluindo a guerra deste ano com o Irão.
Os investigadores ainda não concluíram se o incidente teve apoio estatal. Estão a analisar uma possível ligação ao Irão, à Rússia ou a grupos militantes não estatais. A RAF Fairford tem sido também alvo de protestos de ativistas anti-guerra.
Os cinco suspeitos, cuja identidade não foi divulgada, foram inicialmente detidos por alegados delitos relacionados com explosivos e mais tarde também por suspeita de preparação de um ato terrorista.
A polícia indicou que todos os homens são cidadãos britânicos de Londres, na casa dos 20 anos.
A agência noticiosa nacional britânica, a PA, informou, sem citar fontes, que a polícia não encontrou explosivos viáveis.
Ao anunciar que os suspeitos tinham sido libertados sob fiança, o responsável máximo pela autoridade contra-terrorismo, Laurence Taylor, afirmou que os homens enfrentam condições rigorosas e “continuam absolutamente sob investigação”.
Taylor acrescentou que entre as linhas de investigação figura a hipótese de os alegados delitos terem sido cometidos por “intermediários ou indivíduos que, consciente ou inconscientemente, atuavam em nome de um Estado estrangeiro”.
Os residentes foram retirados de 85 casas na aldeia de Whelford, perto da base, no domingo, e peritos militares em desativação de explosivos utilizaram um robô para examinar três carrinhas brancas.
A população pôde regressar a casa no final da tarde de segunda-feira, embora se mantivesse um cordão de segurança em torno dos três veículos, segundo a polícia.
O primeiro-ministro, Andy Burnham, presidiu na segunda-feira a uma reunião do comité de emergência governamental COBRA para “garantir que temos uma visão completa” do incidente, afirmou.
Reino Unido: detenções após alerta de veículos suspeitos
Não era claro se os homens detidos estavam ou não sinalizados pelos serviços de segurança. Moradores locais relataram ter visto um reforço da segurança em torno da RAF Fairford nos últimos dias, com veículos pesados estacionados junto aos portões de entrada.
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou que os suspeitos foram detidos na sequência da cooperação entre Washington e Londres e que estavam “sob vigilância” há algum tempo.
Já a polícia indicou que as detenções foram desencadeadas por uma chamada telefónica, durante a noite, sobre “veículos suspeitos” perto da base.
Uma agricultora da zona disse que ligou para a polícia depois de ver três carrinhas estacionadas de forma estranha quando regressava a casa, já tarde na noite de sábado, e que, nas proximidades, se deparou com “um grande grupo de homens”, alguns com o rosto coberto. Segundo contou, eles dispersaram quando viram o seu veículo.
Recusou identificar-se para proteger a sua identidade, uma vez que estava a descrever o que considerou serem possíveis falhas de segurança.
O ministro da Defesa britânico, Wes Streeting, afirmou que a agricultora “fez exatamente o que devia” ao chamar a polícia, mas tinha apenas “uma visão parcial” da operação.
As detenções ocorreram numa altura de maior tensão face à ameaça de Estados hostis, com os serviços de informações britânicos a dizerem que tanto a Rússia como o Irão têm recorrido a intermediários para cometer crimes em território do Reino Unido.
Em março, responsáveis indicaram que o número de processos de segurança nacional envolvendo atividade de Estados hostis, incluindo o Irão, aumentou 50% nos seis meses até dezembro de 2025.
Irão associado a série de ataques na Europa
O Reino Unido não se juntou aos Estados Unidos e a Israel na guerra contra o Irão, iniciada em 28 de fevereiro, e inicialmente recusou o pedido de Trump para utilizar bases britânicas em ataques ao país.
Mas o então primeiro-ministro, Keir Starmer, concordou em março em permitir que os Estados Unidos utilizassem bases no Reino Unido para aquilo que descreveu como operações “defensivas” contra mísseis iranianos e os respetivos locais de lançamento, na sequência de ataques iranianos contra interesses britânicos e aliados do Reino Unido no Golfo.
Bombardeiros norte-americanos B-1 e B-52 descolaram de Fairford, 160 quilómetros a oeste de Londres, para operações no âmbito do conflito com o Irão.
O Irão declarou que considera qualquer base utilizada para atacar o seu território um alvo legítimo.
Responsáveis de segurança britânicos afirmam que intermediários ligados ao Irão estão por detrás de uma série de incêndios criminosos e outros ataques no Reino Unido e noutros países, muitos deles dirigidos contra a comunidade judaica e destinados a semear medo.
Já tinham alertado anteriormente que Teerão poderia alargar os seus alvos no Reino Unido se os conflitos no Médio Oriente continuarem.
O ministro dos Negócios Estrangeiros britânico, Ed Miliband, afirmou na segunda-feira que o incidente é “um lembrete das ameaças que o nosso país enfrenta”.