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UE garante cobertura do défice de 27 mil milhões da Ucrânia e das necessidades para 2026

Ursula von der Leyen e Volodymyr Zelenskyy em julho.
Ursula von der Leyen e Volodymyr Zelenskyy em julho. -  Direitos de autor  European Union, 2026.
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De Jorge Liboreiro
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Chegou ao fim o mistério em torno do défice de 27 mil milhões de dólares da Ucrânia, depois de a Comissão Europeia confirmar, esta quinta‑feira, que as necessidades financeiras e militares do país para 2026 estão totalmente cobertas.

A Comissão Europeia concluiu que as necessidades financeiras e militares da Ucrânia para este ano estão totalmente cobertas, um mês depois de Kiev ter sinalizado um défice de 27 mil milhões de dólares (23,92 mil milhões de euros) no Ministério da Defesa, que apanhou Bruxelas desprevenida.

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“Hoje, através de esforços conjuntos coordenados, identificámos os meios para cobrir as necessidades orçamentais e de defesa da Ucrânia em 2026”, indicou a Comissão num comunicado redigido de forma pouco concreta e divulgado pela presidente Ursula von der Leyen na quinta‑feira.

“Confirmámos igualmente as etapas necessárias para garantir a sua disponibilização atempada.”

Com isto, o executivo encerra o debate iniciado no fim de agosto, quando o presidente ucraniano Volodymyr Zelenskyy apelou aos aliados para cobrirem os 27 mil milhões de dólares em falta, alertando que entregas de armas essenciais estavam em risco.

“Precisamos de mais dinheiro, muito mais”, afirmou Zelenskyy.

Desde então, a Comissão tem mantido conversações técnicas com o governo ucraniano para determinar com precisão a dimensão da falta de financiamento.

Desde o início, responsáveis da UE mostraram‑se relutantes em validar o número de 27 mil milhões de dólares, mais tarde revisto para 20 mil milhões, por considerarem o valor inesperado e pouco justificado.

Em vez disso, concentraram‑se no empréstimo de 90 mil milhões de euros, a principal linha de assistência do bloco, que prevê 45 mil milhões para 2026 e outros 45 mil milhões para 2027.

Inicialmente, Zelenskyy sugeriu que uma parte do empréstimo destinada ao próximo ano fosse antecipada para este, mas o pedido nunca foi formalizado.

À medida que as conversações técnicas se prolongavam, Bruxelas aumentou a pressão sobre Kiev para avançar com as reformas necessárias ao desbloqueio do empréstimo de apoio e da Ukraine Facility, uma anterior linha de assistência. A Comissão está frustrada com o ritmo lento da produção legislativa.

O empréstimo e o programa Ukraine Facility têm ainda disponível cerca de 37 mil milhões de dólares até ao fim do ano, montante que responsáveis europeus insistem ser suficiente para manter a Ucrânia numa base sólida.

Com 2026 assegurado, as atenções viram‑se agora para 2027, bem mais crítico.

No comunicado, a Comissão prometeu afetar “rapidamente” a segunda metade, de 45 mil milhões de euros, do empréstimo para garantir desembolsos rápidos, “sob reserva das condições estabelecidas”.

Bruxelas e Kiev vão “iniciar trabalhos para identificar necessidades adicionais em matéria orçamental e de defesa”, acrescentou, apelando a que os países aliados aumentem as respetivas contribuições.

“Todas as partes concordaram que outros parceiros devem igualmente cumprir os seus compromissos financeiros e reforçar os seus esforços, face aos desafios significativos que a Ucrânia enfrenta.”

No início da semana, o ministro das Finanças ucraniano, Sergii Marchenko, afirmou que o país enfrenta um défice impressionante de 78 mil milhões de dólares em 2027: 32,6 mil milhões no orçamento e 45 mil milhões em despesas militares - a Comissão ainda não validou estes números.

Marchenko advertiu que os ataques constantes da Rússia, contra centros de dados, telecomunicações, redes elétricas, fábricas e caminhos‑de‑ferro, combinados com o bloqueio no mar Negro, ameaçam paralisar a economia ucraniana e reduzir drasticamente a cobrança de impostos.

Em resposta ao comunicado da Comissão, Zelenskyy saudou os “bons resultados” das consultas bilaterais sobre as necessidades de 2026 e 2027.

“Acordámos o formato, o calendário e os passos necessários para garantir uma cobertura plena”, disse. “Daqui em diante, vamos coordenar este trabalho e alinhar as nossas ações todos os meses, assegurando uma coordenação contínua.”

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