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China: economia cresce 4,5% com exportações fortes e procura interna fraca

Contentores são carregados e descarregados em camiões num terminal em Qingdao, na província de Shandong, no leste da China, em 28 de agosto de 2026. (Chinatopix via AP)
Contentores são carregados e descarregados em camiões num terminal em Qingdao, na província de Shandong, no leste da China, em 28 de agosto de 2026. (Chinatopix/AP) -  Direitos de autor  AP Photo
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De Jeremiah Fisayo-Bambi
Publicado a •Últimas notícias
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O crescimento oficial no trimestre de julho a setembro superou as previsões e acelerou face aos 4,3% de abril a junho, o ritmo mais lento em mais de três anos.

A China anunciou esta segunda-feira que a economia cresceu 4,5% no trimestre de julho a setembro face ao mesmo período do ano passado, impulsionada por exportações robustas, um desempenho que aproxima o país da meta anual de crescimento numa altura em que os parceiros comerciais apertam a pressão para reduzirem os défices com Pequim.

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O valor oficial superou as expectativas e acelerou face aos 4,3% registados entre abril e junho, o ritmo mais lento em mais de três anos.

As autoridades chinesas fixaram para 2026 uma meta de crescimento entre 4,5% e 5%, abaixo dos 5% de expansão do ano passado. No início deste mês, o Fundo Monetário Internacional (FMI) reviu em baixa a previsão de crescimento da China para este ano para 4,5%, o limite inferior da faixa definida por Pequim.

Exportações impulsionam crescimento mas procura interna mantém-se fraca

As exportações continuam a ser um dos poucos pontos fortes. Após um aumento de 36% das vendas ao exterior no mês passado e um excedente de 938 mil milhões de dólares entre janeiro e setembro, a China está a caminho de superar o recorde do ano passado, de 1,2 biliões de dólares de saldo comercial.

As tarifas mais elevadas dos Estados Unidos travaram parte do comércio bilateral, empurrando exportadores chineses para o Sudeste Asiático, América Latina e Europa. Bens de alta tecnologia, incluindo semicondutores e veículos híbridos e elétricos, lideram este crescimento.

Na aposta na autossuficiência para se proteger dos controlos às exportações impostos pelo Ocidente, a China construiu uma vasta capacidade industrial, fortemente subsidiada, em setores como a energia solar e os veículos elétricos. Mas também surgiram problemas.

Um rebocador empurra um navio porta-contentores para um porto em Yantai, na província de Shandong, no leste da China, em 14 de outubro de 2026. (Chinatopix via AP)
Um rebocador empurra um navio porta-contentores para um porto em Yantai, na província de Shandong, no leste da China, em 14 de outubro de 2026. (Chinatopix via AP) AP Photo

A produção aumentou rapidamente, enquanto o consumo ficou para trás, pelo que grande parte dessa produção é vendida ao exterior a preços competitivos. Ecaterina Bigos, estratega sénior de mercados da BNP Paribas Asset Management, disse que este modelo, assente na tecnologia e nas exportações, gerou uma criação limitada de emprego e de rendimentos, enquanto aumenta o risco de perdas de postos de trabalho ligadas à inteligência artificial.

Por isso, o valor oficial de crescimento divulgado nas manchetes está a tornar-se “um indicador cada vez menos fiável sobre o desempenho do conjunto da economia”, segundo Max Zenglein, economista sénior para a Ásia-Pacífico na The Conference Board.

Zenglein considera que, apesar do número impressionante, ele esconde “desigualdades crescentes entre setores, regiões e agregados familiares” e que gerir os desequilíbrios internos poderá revelar-se mais difícil para Pequim do que lidar com as pressões externas.

A procura interna enfraqueceu, penalizada por uma crise prolongada no setor imobiliário, que erodiu a riqueza das famílias e levou a um aumento da poupança.

China sob pressão da UE para reequilibrar comércio

A China exportou cerca de 919 000 veículos ligeiros de passageiros em setembro, impulsionada pela forte procura externa por modelos híbridos plug-in e totalmente elétricos, segundo dados da Associação Chinesa de Fabricantes de Automóveis.

Nos primeiros nove meses de 2026, as exportações ultrapassaram os 7,1 milhões de automóveis de passageiros, um aumento de mais de 70% face ao mesmo período do ano anterior.

Ainda assim, persiste entre os parceiros de Pequim o receio de que as importações chinesas, mais baratas, ameacem as suas indústrias internas e o equilíbrio da balança comercial.

O bloco da União Europeia, de 27 países, regista com a China um défice superior a 1,1 mil milhões de dólares (981,2 milhões de euros) por dia, e as exportações chinesas para a UE subiram 16% nos primeiros nove meses do ano.

Alguns Estados-membros defendem novas restrições, mesmo depois do acordo alcançado este mês para reduzir para cerca de metade as importações de veículos híbridos chineses nos próximos anos.

Esse acordo fixou em 350 000 por ano o limite para as importações de veículos híbridos chineses.

Analistas consideram, no entanto, que a China pode continuar a trabalhar com outros países na resolução de diferendos, ao mesmo tempo que protege o acesso dos seus produtos aos mercados.

O acordo sobre os híbridos, por exemplo, poderá permitir-lhe manter e até aumentar as vendas a prazo, evitando uma subida generalizada das tarifas. Ainda assim, Lynn Song, economista-chefe para a Grande China no ING, disse que os desequilíbrios comerciais “serão difíceis de resolver rapidamente”.

Responsáveis políticos argumentam também que um yuan subvalorizado face ao dólar e ao euro alimentou o excedente, uma acusação que o banco central da China rejeitou.

Pequim afirma que não procura um grande excedente comercial. Na sexta-feira, o governador do banco central, Pan Gongsheng, afirmou que países com défices e excedentes devem cooperar e que a China está empenhada em reforçar a procura interna.

Outras fontes • AP

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