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Detroit: urbanidade ao rubro

Detroit: urbanidade ao rubro
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Já lhe chamaram a cidade mais disfuncional dos Estados Unidos, disseram que “se Detroit fosse um Estado, seria um Estado falhado” e agora receia-se que comece a pagar dívidas com quadros de Caravaggio e Van Gogh do seu museu (só a avaliação dos quadros fica em 200 mil dólares (cerca de 151 mil euros).

O fim da industria automóvel e a debandada da Motown foram dos principais capítulos do fim do sonho americano na emblemática cidade do Michigan.

O que é certo é que Detroit está na bancarrota, deve 15 mil milhões de euros; mas também é verdade que é uma cidade com alma que tenta, desesperadamente sobreviver.
Além da solução de “vender os anéis para ficarem os dedos”, soluções mais imaginativas estão a suscitar bastante interesse, nomeadamente o projeto Detroit Urbex, de um grupo de cidadãos que nasceu como associação, já com site próprio (detroiturbex.com) e página no Facebook.

O projeto oferece uma via fácil e segura para viajar, por todo o lado, nesta cidade incrível – comparar o passado, o presente e o futuro.

Visa satisfazer entusiastas da história, académicos, arquitetos, estúdios de cinema, investigadores, urbanistas, artistas, músicos e simples curiosos sobre Detroit, acomodando pessoas de todas as esferas da vida e de todo o mundo.

“Click a click” entra-se em qualquer igreja ou escola, universidade ou fábrica, como numa viagem do tempo, um espelho sempre com reverso, entre o passado e o presente, com imagens e respetiva história dos locais fotografados.

A cidade erguida para dois milhões de habitantes tem hoje um pouco mais de 600 mil. Está despovoada e semidestruída.

A loucura pelos automóveis que sorviam “galões” de gasolina, nos anos 50, e que, com a indústria rumou ao desenvolvimento e era habitade por gente feliz, pavimentou a ruína.

Detroit tem uma área maior do que as cidades de São Francisco, Boston e Manhattan juntas. Hoje, as casas que os proprietários não conseguiram pagar e que tiveram de abandonar, ficaram à venda tantos anos que acabaram por ser assaltadas e vandalizadas, o que agrava ainda mais a imagem de devastação em bairros inteiros.

Mas há sempre faces positivas no prisma.

Este lado menos glorioso da humanidade tem sido palco de séries e filmes que ficaram para a história do cinema, como “O Caça-Polícias” (1984), “Amor à Queima Roupa” (1993) O Corvo, de 1994, filme marcado pela morte de Brandon Lee, filho de Bruce Lee, por acidente: a bala com que devia ter sido atingido não devia ter pólvora…mas, por engano, tinha três vezes mais e foi disparada a curta distância. Demasiada.

O filme de Sofia Coppola “Virgens Suicidas” (1999), destaca a sobrevivência interior à força de defender uma árvore no jardim da casa, uma ilusão de uma América que cai na desgraça. Eminem tenta ser o maior rapper da cidade em “8 Mile” (2002); “Gran Torino” (2008), de Clint Eastwood procura dizer-nos que as pessoas às vezes redimem-se e ajudam-se umas às outras, mas não é certo; e “Robocop”: o quarto filme da série aborda a utilização de drones pela polícia (o primeiro filme da série foi realizado em 1987).

Agora, uma nova série instala-se na cidade americana que declarou falência e testemunha o êxodo da população: Low Winter Sun

O êxodo faz com que o espaço, só por si, represente muito. Como explicou a realizadora do primeiro episódio, Catherine Hardwicke, ao “New York Times”, “é impossível não fazer coisas boas aqui, num passeio a pé ou de carro vemos sucessivos cenários que são inspiradores e tristes, tudo ao mesmo tempo”.

Mark Strong, que desempenha o papel principal, apaixonou-se pela cidade e defendeu no “Detroit News” que “quando dizia às pessoas que ia trabalhar para Detroit, o primeiro comentário era sempre que seria muito perigoso. Agora dou por mim a falar sobre a cidade a toda a gente, descubro que os que pior falam são os que nunca lá estiveram”.