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Síria: "Vamos resistir e defender a nossa dignidade"

Síria: "Vamos resistir e defender a nossa dignidade"
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De  Euronews
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A guerra civil na Síria entrou em terreno desconhecido. Muitos consideram o recurso a armas químicas, que mataram centenas de pessoas inocentes, uma violação da condição humana. Terão estes crimes colocado o país numa via sem retorno? Será que estes acontecimentos ameaçam a unidade e a existência do Estado sírio? Damasco defende-se e refuta todas as acusações que apontam o dedo ao exército do regime como autor de um ataque com armas químicas.

euronews: Temos connosco, a partir de Damasco, o vice-ministro sírio dos Negócios Estrangeiros. Sr. Faysal Al-Mikdad, bem-vindo à euronews! Dez anos depois da guerra no Iraque é a Síria que agora se encontra no centro das atenções. Há ameaças, em particular da América e da França, para bombardear a Síria. Qual é o impacto destas ameaças no país e no governo sírio?

Faysal Al-Mikdad: O objetivo do colonialismo foi sempre enfraquecer os árabes relativamente a Israel. Ainda não é uma guerra, antes uma agressão, e o principal objetivo desta agressão é eliminar o potencial militar da Síria, tal como aconteceu no Iraque e está a suceder no Egito. O governo sírio está pronto a enfrentar esta guerra e esta agressão. Esta guerra não tem outro propósito senão mostrar que as potências colonialistas, em particular a América e a França, apoiam a Al-Qaida, a Al-Nusra e o “Estado Islâmico do Iraque e Al Sham” contra o povo da República Árabe da Síria.

Click aqui para ver a primeira parte

Click aqui para ver a segunda parte

euronews: Mas John Kerry falou em provas da utilização de armas químicas pelo exército sírio…

Faysal Al-Mikdad: Essas provas são ridículas e dão-me vontade de rir. Eu era o embaixador da Síria no Conselho de Segurança da ONU quando o Sr. Colin Powell nos mostrou uma garrafa com pó branco e afirmou tratar-se de uma prova da utilização de armas químicas por parte do regime iraquiano contra o seu povo. Mais tarde descobrimos que se tratava de afirmações sem fundamento. Mais de meio milhão de iraquianos foram mortos como consequência dessas palavras e os Estados Unidos não pediram desculpa. Eles repetem o mesmo truque, da mesma forma. Mentem quando falam deste crime alegando que a responsabilidade é do governo sírio. Foram eles que deram as armas químicas aos seus agentes na Síria, que são os grupos terroristas armados. Os Estados Unidos decidiram apoiá-los quando começaram a vê-los derrotados.

euronews: Como pode a Síria provar que o exército não utilizou armas químicas?

Faysal Al-Mikdad: Dissemos publicamente que a Síria não usaria estas armas contra o seu povo. A Síria recebeu a equipa de inquérito da ONU e ela esteve a cem metros do local que os serviços secretos americanos afirmam ter sido alvejado com armas químicas. Por isso eu confirmo que são tudo mentiras. Eles querem apenas lavar a afronta de uma derrota e meter a Síria nas mãos de Israel. Como já disse, Israel é a razão pela qual está a acontecer tudo isto na Síria e em todo o mundo Árabe. Os poderes da Irmandade Muçulmana, os fundamentalistas e a Al-Qaida foram criados por estes países ocidentais e a sua ação serve os objetivos do colonialismo no mundo Árabe.

euronews: O senhor viu imagens na internet e na televisão mostrando famílias e crianças que tinham sido queimadas por gases e armas químicas. O senhor viu essas imagens em Damasco?

Faysal Al-Mikdad: Ficámos tristes quando vimos essas imagens. Dissemos, e eu espero que seja claro para todos os que nos veem, que os grupos terroristas usaram gás sarin no bairro de Khan Al Asal em Aleppo. E temos provas de que estes grupos terroristas atingiram os nossos soldados com armas químicas perto de Damasco, nas mesmas áreas onde os Estados Unidos e os seus aliados afirmam que o exército sírio as utilizou. Nós confirmamos que as pessoas que utilizaram armas químicas eram agentes dos serviços secretos americanos e dos seus aliados. Foram os serviços secretos que fabricaram esta história com Bandar Bin Sultan que é um espião ao serviço da América e dos serviços secretos ocidentais. A Síria está inocente. A nossa moral não nos permite cometer este tipo de crimes. As imagens podem ser genuínas mas quem as usou foram os criminosos e os terroristas apoiados pelos Estados Unidos, pela França e outros países. A Al Nusra, a Al-Qaida e outros grupos terroristas afirmaram terem potencial para fazer armas químicas. A Turquia capturou um grupo terrorista que tinha 2 quilos de material químico vindo da Líbia. O governo iraquiano capturou gente que se preparava para fazer mais armas químicas. Isto é do domínio público.

euronews: Está a acusar diretamente a Arábia Saudita?

Faysal Al-Mikdad: Eu acuso todos quantos financiam e armam grupos terroristas para cometerem estes crimes. São eles os responsáveis pelo derramamento de sangue na Síria. A Arábia Saudita é o ator principal.

euronews: Quais vão ser as consequências de um eventual bombardeamento da Síria? O senhor disse que a reação iria transbordar das fronteiras sírias.

Faysal Al-Mikdad: Não vamos ficar à espera a ver o que a América e os seus aliados vão fazer na região. A região inteira vai ser afetada pelo que acontecer na Síria.

euronews: Há alguma possibilidade do governo sírio poder enfrentar este tipo de bombardeamento que vai visar alvos estratégicos e sensíveis?

Faysal Al-Mikdad: Não somos um estado poderoso para dizer que temos capacidade para enfrentar a máquina militar americana. Não posso dizer isso. Mas vamos resistir e defender a nossa dignidade e a honra dos cidadãos sírios e do território sírio.

euronews: Que tipo de consequências pode ter o bombardeamento para Israel e para a Turquia?

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Faysal Al-Mikdad: Eu estou agora a falar ao mundo e a dizer que qualquer bombardeamento ou qualquer tipo de agressão à Síria é apoiar a Al-Qaida e a Al Nusra e ajudá-las a triunfar, sem qualquer preocupação por valores e princípios. A Carta das Nações Unidas, como foi formulada pelos pais fundadores, entre os quais a América, proíbe os Estados de agir fora das resoluções do Conselho de Segurança. Ela não permite aos Estados violarem a paz e a segurança internacional.

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