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Um ano com o Papa Francisco

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Monsenhor Philippe Barbarin, Cardeal de Lyon, Primaz dos Gauleses: “No fundo, nada muda”.

Um ano depois de eleito, o Papa Francisco seduziu o mundo com o seu estilo. Na forma, mudou a comunicação da Igreja Católica. Mas quem é ele no fundo? News Plus lembra estes primeiros 12 meses no Trono de São Pedro e adianta as perspetivas de 2014.
Antes, a análise do diretor da revista Golias, Christian Terras:

O diretor da revista Golias, Christian Terras, revista muito crítica da comunidade católica, traça aqui o rumo provável do Pontificado de Francisco em relação aos assuntos mais pertinentes para a Igreja na Europa.:

‘‘Há um estilo que, efetivamente, marca uma notória mudança, um estilo pelo qual foi eleito, e é isto que é preciso sublinhar. Jorge Bergoglio foi eleito para suavizar a imagem da Igreja, que estava muito deteriorada, depois do pontificado de Bento XVI e que levou à sua demissão, é a minha opinião. Foi uma demissão saudável posta ao serviço de Papa.”

Em 2013, a França foi o nono país europeu a autorizar o matrimónio homossexual.

O governo espanhol apresentou, em dezembro passado, um projeto lei que limita o direito ao aborto. Christian Terras : ‘‘Ele não vai fazer como os antecessores. Não vai enviar um a mensagem a Espanha e a França do seu posto em Roma sobre o casamento homossexual; e ao aborto, apenas se referiu em termos pessoais.

O Papa Francisco vai deixar que as conferências episcopais desempenhem o seu papel para desenvolver a política à medida que forem tomadas as decisões.

Em relação a França, por exemplo, está em curso um braço de ferro com o governo Ayrault-Hollande. Em Espanha, sobre a tentativa de limitar a lei do aborto, vão saindo à rua as correntes integristas que pretendem acertar contas com o antigo governo socialista que preconizou o aborto.

Ele vai ter uma atitude muito mais tática, não será frontal nem irá dizer em relação ao casamento dos homossexuais que é “contra-natura”. Vai dizer: “quem sou eu para julgar? Ao mesmo tempo não avai anunciar da sua cadeira em Roma “sou contra o casamento para todos”.
E o governo Hollande-Ayrault, fará melhor de retornar às bases civilizacionais e culturais que fundaram a Europa cristã. Não ele, não é esse o seu discurso.”.

Fabien FARGE, Euronews – Monsenhor Philippe Barbarin, Cardeal de Lyon – Primaz dos Gauleses… participou na eleição do último conclave, que balanço podemos fazer deste primeiro ano de pontificado?

Monsenhor Philippe Barbarin – Não imaginávamos que tivesse tanta energia. Quando o elegemos, sabíamos que algo mudaria por ele ser da América Latina, como que de um novo mundo. Atualmente, 40% dos católicos do mundo inteiro vivem na América Latina, por isso é normal que um Papa venha de lá.

euronews – Este estilo é apenas de comunicação ou é algo que faz parte da personalidade do Papa Francisco?

Monsenhor Philippe Barbarin – Esta vida tornou-se simples. Ele diz: “porque andar em belos Mercedes que oferecem ao Papa, se eu preciso apenas de uma viatura? Um carro não tem de ser bonito mas transportar-nos, por isso, que me transporte. Se as coisas puderem ser simples é melhor”.

euronews – Além do estilo, da forma, há também o fundo, Monsenhor. Podemos supôr que a palvara da Igreja mudou, no fundo, com o Papa Francisco, num só ano?

Monsenhor Philippe Barbarin – Nos dogmas, nos sacramentos, não. Nós temos um só Senhor, uma só fé, um só batismo. Às vezes criticam-nos por sermos assim formatados. Eu digo que não, que pensem em Bento XVI, ele não é assim e o papa Francisco é completamente diferente. E o Papa João Paulo II era ainda mais diferente. O que é o fundo? Que o Evangelho é uma luz para todas as nações? Que Jesus é o Salvador do mundo, uma fonte considerável de alegria?

euronews – Concretamente, podem citar-se algumas reformas?

Monsenhor Philippe Barbarin – Não, precisamente, por vermos que ele é muito determinado. Tomou poucas decisões. Veja uma primeira decisão: escolheu para Secretário de Estado um homem com menos 25 anos. Parolin, que conhece bem as relações externas, os negócios estrangeiros. Recentemente, os assuntos económicos: o objetivo é torná-los transparentes. O assunto das finanças sempre foi difícil. Desde que haja dinheiro, há mãos que se chegam, não importa onde.

euronews -Os casos de pedofilia são numerosos na Igreja. O que pensa da reação da ONU, que aponta o dedo ao Vaticano, precisamente por não ter feito o suficiente sobre este tema sensível e tão importante da pedofilia?

Monsenhor Philippe Barbarin – Um dia, um inspetor geral do ensino público disse-me: “gostaria que a educação nacional fosse tão clara como a da Igreja”. De facto, há inúmeros casos…
Na Igreja, é uma catástrofe. Em todo o lado, é uma catástrofe. O escândalo é, talvez, maior no interior de uma Igreja… evidentemente. São as pessoas que pregam a santidade de Deus; se fazem o contrário, choca ainda mais. Em todo o caso, agimos rapidamente. Para mim, um só crime destes é uma monstruosidade, estou de acordo, por isso fico contente por as coisas serem ditas e desejo que sejam combatidas com a mesma energia.
A ONU pode ficar em cólera contra nós, faz-nos bem. Porque exige de nós este combate com uma clareza que vem de João Paulo II, depois de Bento XVI e agora com o Papa Francisco.
A propósito disto, não há dúvidas. Gostaria que outros seguissem o exemplo porque este flagelo não se limita à Igreja, atinge toda a sociedade.

euronews – O Papa Francisco, que é o mais recente sucessor, tem esperança?

Monsenhor Philippe Barbarin – Sim, acredito, e foi um idoso que me alertou imediatamente. Disse-me: “estou contente, vou morrer em breve mas vi isto acontecer, vi o Papa da Esperança, João Paulo II, depois o Papa da Fé, que nos ensinou a fé, a transmitiu e a serviu com delicadeza, Bento XVI, e agora conheço o Papa do Amor”.