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O impacto do vacilante crescimento global sobre o Médio Oriente

O impacto do vacilante crescimento global sobre o Médio Oriente
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Nesta edição do Business Middle East olhamos de perto para as últimas previsões do Fundo Monetário Internacional. O pessimismo é a nota dominante. O FMI reviu em baixa as estimativas de crescimento económico para 2014 e 2015, sobretudo nos maiores países da zona euro.

No que diz respeito aos países da região do Golfo Pérsico, os números mantêm-se, mas foram manifestados receios em relação à queda dos preços do petróleo. Em circunstâncias normais, as crises políticas naquela parte do globo teriam como consequência a subida do valor do barril de crude. No entanto, verifica-se o oposto – um crescimento mais fraco que traduz menos procura e matéria-prima disponível acima das necessidades.

O processo de recuperação da chamada “Grande Recessão” do século 21 continua frágil e vulnerável a inúmeros riscos, alerta o último relatório do Fundo Monetário Internacional. O FMI baixou as previsões de crescimento global para 3,3%, este ano, e 3,8%, para o ano que vem. O economista-chefe desta instituição, Olivier Blanchard, afirma que “a retoma é fraca e desequilibrada. Se olharmos para as economias mais avançadas, temos os Estados Unidos com um bom desempenho; a zona euro e o Japão, nem por isso.”

As três maiores economias da eurozona – Alemanha, França e Itália – viram as suas previsões revistas em baixa. Os especialistas do FMI salientam que os países mais ricos devem manter taxas de juro reduzidas para incentivar os empréstimos e o crescimento.

No Médio Oriente, o cenário é repartido: as estimativas para o Qatar, Arábia Saudita e Emirados Árabes Unidos melhoraram; para o Kuwait, foram no sentido inverso. As perspetivas também não são as mais risonhas nem para o Irão, por causa das sanções internacionais, nem para o Iraque, por causa dos conflitos que devastam o país. O valor do petróleo tem baixado devido a uma procura menos intensa e ao aumento da produção fora da OPEP, sobretudo com a exploração de xisto nos Estados Unidos.

A partir de Abu Dhabi, o analista da ADS Securities, Noureldeen Al-Hammoury, explorou esta questão juntamente com a jornalista da euronews Daleen Hassan.

euronews: O FMI reviu em baixa as previsões para as três maiores economias da zona euro. Quão graves são os problemas do bloco europeu e como estimular de novo o processo de recuperação?

Nour Eldeen Al-Hammoury: Já passaram quase sete anos desde o início da crise financeira. O BCE aplicou vários programas de incentivo como o QE, o LTRO e agora o ABS. No entanto, as taxas de crescimento ainda estão bem longe dos objetivos da zona euro e nunca conseguiram atingir as fasquias programadas nos últimos sete anos. O principal problema europeu reside na existência de duas abordagens em simultâneo: por um lado, a austeridade, por outro, os empréstimos para alimentar o crescimento.

A meu ver, a solução passa por concentrarem-se num só caminho, seja o da austeridade – que pode precipitar a economia numa nova recessão, mas pode ser positivo a longo prazo-, ou continuar a incentivar ao crédito – o que é positivo no curto prazo, mas muito perigoso a longo termo, porque as dívidas já atingiram níveis recorde.

euronews: O excesso de oferta provocou a queda dos preços do petróleo. O que podem fazer os países do Médio Oriente para estabilizar esses preços?

NAH: Esta ainda não é a altura para entrar em pânico. A Arábia Saudita aumentou a produção em setembro, em mais 100 mil barris por dia, o que deverá manter a pressão sobre os preços do petróleo. No entanto, é uma decisão que pode vir a estabilizar os seus rendimentos, porque reforça a fatia que detém no mercado. A região do Golfo pode aguentar se os valores se mantiverem acima dos 65-75$ no barril de Brent, ou seja não há défice por agora. Mas se estes níveis forem abalados, a região ou a OPEP podem ter de intervir, reduzindo o volume de produção, uma vez que o mercado já está saturado num contexto global de abrandamento económico.

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