Turquia: Tribunal solta editor de jornal com a mira apontada a Güllen

Turquia: Tribunal solta editor de jornal com a mira apontada a Güllen
De  Francisco Marques
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A Turquia prepara-se para pedir aos Estados Unidos a extradição do clérigo islamita e opositor do governo, Fethullah Gülen, sob acusação de alegada

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A Turquia prepara-se para pedir aos Estados Unidos a extradição do clérigo islamita e opositor do governo, Fethullah Gülen, sob acusação de alegada associação terrorista. Um tribunal anunciou esta sexta-feira ter aceitado o pedido do Procurador-Geral de Istambul para emitir um mandato de captura contra o clérigo islamita que reside nos Estados Unidos há mais de 15 anos.

#BREAKING#Turkish Court accepts prosecutor's request of arrest warrant for Fethullah #Gülenhttp://t.co/3yR6zGZxO0pic.twitter.com/XPRgcg8PDA

— DAILY SABAH (@DailySabah) 19 dezembro 2014

Esse mandato, ao abrigo de um acordo geral neste sentido assinado entre os dois países, deverá conduzir ao pedido de Ankara a Washington para a extradição de Güllen, um antigo aliado do atual Presidente turco e atual opositor do regime em vigor na Turquia.

O clérigo islamita é um dos responsáveis do grupo de comunicação Samanyolu, do qual fazem parte o jornal diário Zaman e a estação de televisão STV, que terão dado eco de uma reportagem e várias notícias, em 2013, sobre um caso de corrupção ao mais alto nível na Turquia e que motivou a queda de quatro ministros do executivo do então ainda primeiro-ministro Erdogan.

Black Sunday: The day Turkey detained its prominent journalists http://t.co/PvvXOeuYQy

— Fethullah Gülen (@FGulencomEN) 15 dezembro 2014

O Governo de Ankara terá alegado provas de acusação contra várias pessoas ligadas a este grupo de comunicação, por alegada associação a grupo terrorista. Isso levou à prisão de quase 30 pessoas, entre elas o editor chefe do Zaman e o diretor executivo da STV.

Com muitos apoiantes da oposição a Erdogan em protesto junto ao Palácio da Justiça de Istambul, o editor do jornal, Ekrem Dumanli, embora não absolvido, foi libertado esta sexta-feira ao lado de sete polícias suspeitos de corrupção. O jornalista vai aguardar julgamento em liberdade.

“Nós fomos interrogados pelo Procurador durante toda a noite. No final, perguntei-lhe se o motivo do tratamento a que fomos expostos por vários dias eram aqueles dois artigos e uma reportagem? Ele disse que ‘sim’”, relatou Dumanli, ao microfone, perante a multidão de manifestantes, que apupou a alegada resposta do Procurador.

Orhan Kemal Cengiz: Why the case against these journalists is so suspicious http://t.co/z5PYaoRVyJorkece</a></p>&mdash; Fethullah Gülen (FGulencomEN) 19 dezembro 2014

Menos sorte teve o diretor executivo da televisão. Hidayet Karaca vai aguardar julgamento atrás das grades e não calou a sua revolta, gritando repetidamente para as câmaras de televisão que “a imprensa livre não pode ser silenciada.”

Estados Unidos e União Europeia já revelaram desconfiança das acusações do Governo turco contra estes meios de comunicação e apelou a Ankara para não colocar pressão sobre a liberdade de imprensa.

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