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O apelo das papoilas

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O apelo das papoilas

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Em novembro, no Reino Unido e no Canadá, as papoilas andam nas lapelas de toda a gente. Vêm-se nas ruas, vêm-se no parlamento, vêm-se na televisão.

É o chamado “apelo das papoilas” (“Poppy appeal”), que visa angariar fundos para as forças armadas – veteranos ou em atividade – através da venda das pequenas flores. No Reino Unido, a campanha é organizada pela Royal British Legion e no Canadá, pela Royal Canadian Legion.

Embora oficialmente, e segundo a The Royal British Legion, não haja uma maneira “certa” de usar a papoila, uma senhora, no Facebook, explica que um veterano a interpelou para lhe explicar a forma mais correta de usar a dita flor:

À esquerda para os homens, à direita para as mulheres, em papel ou em plástico, as papoilas devem ser colocadas em posição de “11 horas”, já que representam a 11.ª hora do 11.° dia do 11.° mês de 1918, quando o Armistício foi assinado, marcando o fim formal da I Guerra Mundial.

O ‘post’ que a senhora fez, no Facebook, propagou-se de forma viral, tendo j’a sido partilhado mais de meio milhão de vezes:

I’d been trying to find the man who repositioned my poppy and told me his story about it on Tuesday, to let him know how…

Posted by Karen Lowton on�Sunday, November 8, 2015

A história das papoilas

As papoilas começaram a usar-se na lapela em 1921, quando o tenente-coronel canadiano John McCrae publicou o poema In Flanders Fields em que fala das papoilas que crescem nos campos da Flandres, na Bélgica, sobre as campas dos soldados mortos na chamda “frente ocidental”.

As papoilas são uma forma de relembrar os que morreram e os que combateram durante a I Guerra Mundial. O vermelho das pétalas simboliza o sangue dos que perderam a vida; o preto, o luto dos que perderam entes queridos; e o verde representa a esperança de um futuro próspero, nascido da destruição da guerra.

Anualmente, a 11 de novembro, as papoilas são vendidas nas ruas. É o dia mais importante, o Dia do Armistício – ou “Remembrance Day”, aquele que marca o fim da mais sangrenta guerra do século XX.

Embora com menos fervor, a tradição é igualmente respeitada na República da Irlanda, na antiga colónia britânica de Hong Kong, na África do Sul ou ainda na Nova Zelândia.

Quem as faz e para onde vai o dinheiro das papoilas

Em Londres, existe, desde 1922, uma Poppy Factory que emprega 40 pessoas a tempo inteiro. Estas pessoas, na dua maioria, deficientes, trabalham ao longo de todo o ano para produzirem cerca de 36 milhões de papoilas.

Na Escócia, a Lady Haig’s Poppy Factory de Edimburgo produz, desde 1926, cerca de cinco milhôes de papoilas todos os anos.

Tradicionalmente, no Canadá, as papoilas eram feitas por veteranos deficientes de guerra. Mas desde 1996 são produzidas por uma empresa privada.

As verbas angariadas com a venda das papoilas servem para ajudar os veteranos de guerra assim como as suas famílias.