"Ninguém olha para nós como seres humanos. Veem-nos como números"

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De  Marco Lemos com reuters, efe, afp
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Apesar do acordo alcançado em Bruxelas para a Turquia acolher os ilegais que entraram na Grécia, os migrantes bloqueados na fronteira grega com a antiga república jugoslava da Macedónia prometem não a

Temos sonhos, temos uma vida, temos filhos, mas veem-nos como números, como dinheiro.

Os cerca de 13.000 migrantes bloqueados na fronteira da Grécia com a antiga república jugoslava da Macedónia prometem não arredar pé, apesar do acordo alcançado em Bruxelas para reenviar para a Turquia todos os que estão em território grego e que não necessitam de “proteção internacional”, os chamados migrantes económicos.

“Parece um casino e jogam sujo” queixa-se Abu Haida, um refugiado sírio. “Somos apenas as cartas (de um baralho). Ninguém olha para nós como seres humanos. Temos sonhos, temos uma vida, temos filhos mas veem-nos como números, como dinheiro”, lamenta.

“É claro que estamos desiludidos. A maioria das pessoas que estão aqui tem a esperança que abram as fronteiras, pelo menos para os que estão aqui bloqueados. Mas, finalmente, dizem que não há hipótese de passar a fronteira. Isso faz-nos sentir mal, revoltados”, complementa Ahmed, outro refugiado sírio.

O Politico publicou um mapa interativo dos fluxos migratórios na rota dos Balcãs:

A Agência das Nações Unidas para os Refugiados (ACNUR) já expressou preocupação pelo acordo alcançado entre a União Europeia e a Turquia para expulsar os ilegais que entraram na Grécia.

“A expulsão coletiva está proibida pela Convenção Europeia dos Direitos do Homem”, recordou Vicent Cochetel, responsável do ACNUR para a Europa, acrescentando que o compromisso europeu para relocalizar mais 20.000 refugiados nos próximos dois anos, numa base voluntária, é “muito baixo”. A Europa nem sequer conseguiu cumprir o acordo alcançado em setembro para redistribuir 66.000 refugiados que chegaram à Grécia, apenas 600 foram recolocados em países da União Europeia, concluiu.

O ACNUR apresenta um plano com seis pontos para solucionar a questão dos refugiados na Europa:

93% dos migrantes que chegam à Grécia estão a fugir da guerra e/ou do extremismo na Síria, no Iraque e no Afeganistão:

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