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Morreu uma das figuras chave da reunificação alemã

Morreu uma das figuras chave da reunificação alemã
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O antigo ministro alemão dos Negócios Estrangeiros, Hans-Dietrich Genscher, que teve um papel chave na reunificação da Alemanha em 1990, morreu aos 89 anos.

O ex-responsável do Partido Liberal e responsável pela diplomacia alemã durante quase 20 anos não resistiu a um ataque cardíaco, ontem, na sua casa em Wachtberg-Pech, no sul da Alemanha.

Durante quase duas décadas, Hans-Dietrich Genscher dirigiu a diplomacia da Alemanha Ocidental numa altura em que ideologias opostas embatiam num muro. Genscher promoveu o caminho do diálogo que acabou por desembocar na reunificação de um país fragmentado.

Nascido em 1927 em Halle, mais tarde Alemanha de Leste, integrou o exército alemão durante a II Guerra Mundial. Viria a dizer que assim evitou servir a brutal Waffen-SS.

Após a guerra, tornou-se advogado. Em 1952, deixa a RDA rumo à Alemanha Ocidental, onde aderiu ao FDP, o Partido Liberal Democrata.

Em 1969, torna-se no ministro do Interior na primeira coligação entre o FDP e o SPD, sob o governo de Willy Brandt.

Um dos episódios mais marcantes do seu mandato seria o sequestro e o massacre de 11 atletas israelitas durante os Jogos Olímpicos de Munique, em 1972.

Em 1974, ascende ao cargo de ministro dos Negócios Estrangeiros e de vice-chanceler, aprofundando a chamada “Ostpolitik”, que supunha a normalização das relações com o Leste.

Na verdade, Genscher defendia que a Alemanha podia intermediar a aproximação entre o Leste e o Ocidente, uma posição que a administração Reagan não via com bons olhos.

Um dos seus objetivos era desenvolver a ideia da integração da Europa como forma de abrir caminho à reunificação no seu próprio país. Defendia a urgência de reformas políticas profundas na Polónia e na Hungria. E, de facto, foi quando os governos da Europa de Leste colapsaram, que a Alemanha conseguiu reunir-se.

O discurso que proferiu no dia 30 de setembro de 1989, da varanda da Embaixada da RFA em Praga, foi decisivo. Perante milhares de refugiados alemães proibidos de viajar para a Alemanha Ocidental, Genscher anunciou o acordo com o governo comunista da Checoslováquia: aqueles cidadãos tinham finalmente a autorização para sair.

O processo de reunificação em 1990 foi negociado entre ele e o homólogo da RDA, Markus Meckel.

Em 1991, foi ele quem impulsionou na Alemanha o reconhecimento oficial da Croácia que viria a conquistar a independência, juntamente com a Eslovénia.

Também ajudou Angela Merkel em negociações com Vladimir Putin, tendo tido um papel determinante na libertação de Mikhail Khodorkovsky, no final de 2013.