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Páscoa Ortodoxa inspira esperança na "ressurreição" da Síria

Páscoa Ortodoxa inspira esperança na "ressurreição" da Síria
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Centenas de cristãos ortodoxos reuniram-se este domingo, 1 de maio, na Igreja da Cruz Sagrada em Damasco, capital da Síria, para celebrar a ressurreição de Cristo de acordo com o calendário ortodoxo ou juliano. Muitos esperam que a Ressurreição de Cristo inspire também a Síria a reerguer-se da crise humanitária em que mergulhou devido à sangrenta guerra civil em que está mergulhada há cinco anos.

 

A Páscoa Ortodoxa

Todas as Igrejas Ortodoxas canónicas celebram a Páscoa de Nosso Senhor Jesus Cristo, segundo o Calendário Juliano, instituído por Júlio César, no ano 46 antes de Cristo. O calendário para a Páscoa é baseado na astronomia e, por isso mesmo, muito complexo.

Desde os primeiros anos do Cristianismo este assunto foi motivo de divergências entre o Oriente e o Ocidente e de aprofundados estudos. A sua importância religiosa começou no ano 325 com a realização do Concílio Ecuménico realizado em Nicéia, convocado pelo Imperador Constantino Magno, quando os santos Padres da Igreja resolveram, por unanimidade, que a Páscoa seria comemorada por todos os cristãos no mesmo dia.

As resoluções daquele concílio para a celebração da Páscoa determinaram que a Páscoa deve ser comemorada sempre no domingo que segue a lua cheia do equinócio da primavera no Oriente, isto é, depois do dia 21 de março. Assim sendo, a Páscoa cristã realizar-se-á sempre após a Páscoa judaica.

A Igreja Ortodoxa, fiel às decisões deste Concílio, continua seguindo este calendário, observando fielmente os cânones deste concílio e não aceitando reformas, nem tão pouco inovações no que diz respeito à Grande Quaresma e às festividades pascais até ao dia de Pentecostes, no 50º dia após a Páscoa.

Fonte: Ecclesia
“Hoje (1 de maio) assinala-se a Ressurreição de Cristo. Esperamos que seja também a ressurreição da Síria. O país continua a sofrer feridas e dor. A Sexta-feira Santa passou e nós ainda esperamos que a Síria se reerga”, afirmou Madeleine, uma cristã ortodoxa de Damasco.

Zeina, outra fiel que assistiu à missa pascal ortodoxa na capital síria, deseja “paz para a Síria”. “Ao povo de Alepo, eu digo: ‘Cristo reergueu-se!’ Espero que Alepo também se reerga brevemente e volte a ser o que foi antes”, acrescentou.

Maria, outra cristã ortodoxa de Damasco, também sublinhou que “Cristo reergueu-se” e desejou a todos “paz, segurança e prosperidade”. “Que Deus tenha misericórdia de todos os mártires da Síria e em especial das crianças em Alepo. Alguma coisa tem de ser feita por eles e para que esta situação mude”, concluiu.

Gergy, por fim, outro fiel presente na missa da capital síria, desejou que “no próximo ano a paz se espalhe por toda a nação”. “Espero que a alegria e os sorrisos surjam em todas as faces e que seja um ano de bem-estar para o povo todo”, expressou.

Cessar-fogo no leste da Ucrânia

Na Ucrânia, a Páscoa Ortodoxa inspirou a comunhão entre lados postos. O exército e os grupos rebeldes separatistas, em conflito no leste do país, acordaram um frágil cessar-fogo para que a Ressurreição de Cristo seja celebrada por todos os cristãos ortodoxos ucranianos.

As tréguas ucranianas terão sido, contudo, violadas e pelo menos um soldado ucraniano terá sido morto, na sequência de confrontos com grupos rebeldes pró-russos, nomeadamente bombardeamentos rebeldes de posições controladas pelo exército. Do lado dos separatistas, surgiram denúncias também de bombardeamentos efetuados pelas forças fiéis a Kiev.

Em Israel, entretanto, o ambiente Pascal sobrepôs-se na cidade onde há 2016 anos Jesus Cristo terá ressuscitado. Depois do tradicional Fogo Sagrado de sábado à noite, este domingo realizou-se a missa liderada por Teófilo III, o Patriarca da igreja ortodoxa grega em Jerusalém.

Na Rússia, o Presidente Vladimir Putin e o primeiro-ministro Dmitri Medvedev assistiram sábado à missa do patriarca Kirill, em Moscovo, onde “fogo sagrado” transportado diretamente de Jerusalém, por avião, iluminou o serviço religioso e foi partilhado pelos fiéis. Estava previsto também que o fogo fosse ainda levado para o Monte Athos, no norte da Grécia, para assinalar os 1000 anos da presença russa naquela montanha sagrada.