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Lehman Brothers: Os efeitos ainda se sentem oito anos depois

Lehman Brothers: Os efeitos ainda se sentem oito anos depois
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Há oito anos começava a maior crise financeira desde o crash bolsista de 1929.

A 15 de setembro de 2008, o Lehman Brothers Holdings Inc. declarava falência. A crise das “subprimes” fazia desmoronar o quarto maior banco de investimento dos Estados Unidos.

O banco detinha 639 mil milhões de dólares em ativos. Mas a dívida ascendia a 613 mil milhões de dólares. Vários bancos tinham retirado as ofertas de compra, na ausência de garantias contra perdas. Além disso, as autoridades financeiras norte-americanas, incluindo o Banco Central dos Estados Unidos, recusaram intervir para salvar a instituição bancária.

Era o fim do banco criado em 1850 por Henry, Mayer e Emanuel Lehman, imigrantes alemães.

Oito anos depois, na memória permanecem as imagens dos funcionários a deixarem a sede nova-iorquina do Lehman Brothers, carregando nos braços os bens pessoais. O banco empregava 25 mil pessoas em todo o mundo.

As repercussões da falência do Lehman Brothers iriam para além dos Estados Unidos. Os mercados interrogavam-se quem seria o próximo banco a falir?

O banco Lehman Brothers foi uma das vítimas da explosão da bolha imobiliária nos Estados Unidos.

A crise das “subprimes”

Nos Estados Unidos, após a explosão da mini-bolha imobiliária no início dos anos noventa, os preços das casas voltaram a subir de forma constante e dispararam a partir dos anos 2000. A explosão da bolha tecnológica virou os investidores para o setor imobiliário.

Para isso contribuiram os incentivos governamentais para a compra de imóveis e o próprio sistema bancário. Os bancos acabariam por conceder créditos, sem olhar aos rendimentos e à situação profissional de quem o pedia já que, por intermédio da venda de carteiras de empréstimos, não eram responsáveis pelo empréstimo nem tinham de lidar com quem não pagava.

A responsabilidade tinha passado para uma terceira parte, sobretudo as empresas Freddie Mac e Fannie Mae. Estas, por sua vez, para manterem a liquidez detinham ou vendiam os créditos tóxicos em todo o mundo, através das famosas “mortgage-backed securities”.

A suavização das condições para concessão de créditos iria ser seguida também por outras instituições financeiras. E as agências de notação iriam contribuir para a especulação, mantendo as notas de investimento, mesmo a títulos tóxicos.

O crédito malparado nos Estados Unidos disparou 2007 e iria afetar bancos europeus que tinham investido nos títulos hipotecários norte-americanos. A começar pelo britânico Nothern Rock, que acabaria por ser nacionalizado, depois dos clientes terem corrido a retirar as poupanças.

O FMI estima que a crise das “subprimes” terá custado aos bancos cerca de 2 200 mil milhões de dólares.

A ação dos bancos centrais

Para muitos analistas, os verdadeiros responsáveis pela crise são os bancos centrais. Estes não agiram face aos sinais de alarme, continuaram a imprimir dinheiro para emprestar aos bancos e deixaram estes conceder créditos bancários de risco.

O Banco Central dos Estados Unidos (FED), então dirigido por Ben Bernenke, recusou salvar o Lehamn Brothers, mas meses depois, iria intervir para evitar o colapso de toda a economia norte-americana.

Para estabilizar a economia, e em coordenação com os bancos centrais de todo o mundo, a FED baixou as taxas de juro de 4,5% para cerca de zero e comprou, por várias vezes, dívida soberana.

A instituição lançou ainda uma linha de crédito de emergência. Washington resgatou empresas como AIG e Citigroup e impôs novas regras a Wall Street.

O sistema financeiro assistiu, ao mesmo tempo, a uma consolidação.

A Fed acabou por subir as taxas de juro, pela primeira vez, só em dezembro de 2015.

O impacto na Europa

Na Europa, a crise levou as autoridades de vários países a socorrer os bancos em dificuldades. Diversos bancos foram nacionalizados, como o Lloyds e o Royal Bank of Scotland. Estima-se que, entre 2008 e 2014, os bancos europeus tenham recebido 590 mil milhões de euros de ajuda pública. Em muitos casos, os governos ainda não venderam as suas partes nos bancos socorridos.

A injeção do dinheiro dos contribuintes nos bancos fez disparar as dívidas e défices públicos dos países membros da zona euro e da União Europeia. À crise económica iria suceder uma crise da dívida.

Sob pressão dos mercados, Grécia, Portugal e Irlanda foram obrigados a pedir ajuda internacional e a implementar duras medidas de austeridade. Espanha também, depois de ter recorrido ao mecanismo europeu para injetar 51 mil milhões de euros nos bancos, após a explosão da própria bolha imobiliária.

Na zona euro, o desemprego disparou e a economia contraiu. A União Europeia dotou-se de nova legislação para o setor bancário, para limitar a injeção de dinheiro público no resgate dos bancos.

Anos depois da falência do Lehman Brothers, a economia europeia regista um fraco crescimento, a inflação está muito baixa. O Banco Central Europeu avança com medidas de estímulo económico, através do corte das taxas de juros para mínimos históricos e com a compra de dívida soberana e empresarial.

Mas esse é um outro capítulo…