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Peritos culpam alterações climáticas pelo triplo de fogos na UE

Peritos culpam alterações climáticas pelo triplo de fogos na UE
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O número de fogos florestais na União Europeia triplicou este ano, de acordo com as informações apuradas pela Euronews. Ao todo, a área ardida corresponde praticamente ao tamanho do Luxemburgo. O caso de Portugal é definido por especialistas como ilustrativo do impacto das alterações climáticas.

Até agora, em 2017, foram registados 677 incêndios no espaço europeu, um aumento muito acentuado em relação à média de 215 assinalada nos 8 anos anteriores.

Vários especialistas apontam as alterações climáticas como origem incontornável do fenómeno e alertam para uma subida exponencial da ocorrência deste tipo de situações no futuro, inclusivamente em áreas que não costumam ser atingidas.

Portugal, Itália e Croácia continuam a debater-se com incêndios devastadores, entre temperaturas particularmente elevadas e uma precipitação abaixo do habitual.

A origem exata da tragédia de Pedrógão Grande ainda está por apurar. O incêndio, que matou 64 pessoas e deixou feridas cerca de duas centenas, consumiu mais de 20 mil hectares de terreno. As questões que foram sendo colocadas – muitas dirigidas ao funcionamento da rede de vigilância SIRESP -, continuam sem respostas concretas.

Incêndios no norte da Europa?

O especialista Thomas Curt, do instituto de investigação francês Irstea, afirma que as mudanças climáticas foram um fator no incêndio mortal em Portugal e alargaram o período de ocorrência de fogos de dois para cinco meses.

Alexander Held, do Instituto Europeu da Floresta, segue a mesma linha de pensamento de Curt e aponta que os fogos vão começar mais cedo e durar mais tempo. “Vamos assistir a incêndios em sítios inéditos. Haverá mais incidentes ao longo do Mediterrâneo e novos contextos em países inesperados”, declarou Held à Euronews.

Segundo o perito, a Alemanha, a Holanda, a Dinamarca, a Áustria e a Suíça poderão constar dessa lista.

Num estudo recente conduzido pela Universidade de Leicester afirma-se que as regiões da Catalunha, de Madrid e Valência são das áreas mais ameaçadas pelo risco de incêndios na Europa.

Investir na prevenção

Alexander Held salienta que os terrenos ardidos no concelho de Pedrógão Grande pertenciam a empresas que nunca receberam incentivos para, por exemplo, delimitar as áreas com faixas desflorestadas para travar o avanço das chamas.

A questão política

“Não há ninguém a nível europeu que diga claramente que são necessários helicópteros, bombeiros e que é preciso canalizar 10% do orçamento deste setor para investir numa gestão estratégica das florestas”, realça Held.

“Ou então”, diz este especialista, “é necessário compensar os proprietários das terras para abaterem árvores e criarem zonas tampão, providenciarem bons acessos aos terrenos ou realizarem uma análise de riscos. A realidade é que o combate aos incêndios é uma questão muito política e determinada pelos negócios. Se um político pedir mais helicópteros, é considerado muito ativo; mas se investir na limpeza de terrenos, os media não se vão interessar pelo trabalho de prevenção”.

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A entrevista integral a Alexander Held