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Costa do Marfim: Migrantes, empreendedorismo e a volta a casa

Costa do Marfim: Migrantes, empreendedorismo e a volta a casa
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Com quatro milhões de habitantes, Abidjan é a capital económica da Costa do Marfim, potência regional na Costa Ocidental Africana.

Um dinamismo que nem sempre beneficia a população. Cerca de 40% dos marfinenses abaixo do limiar da pobreza. O desejo de emigrar para continua presente em muitos jovens, como é o caso de Jean-Marie Gbougouri.

Foi vítima de um homem que se dizia agente desportivo. Pensou em jogar futebol na Europa, mas acabou na Tunísia e sem dinheiro.

A Organização Internacional para as Migrações (OIM) ajudou Jean-Marie a voltar pra casa, tal como já fez com mais de 15 mil migrantes. O objetivo: ajudar os jovens a desenvolver negócios que beneficiem as economias locais.

Jean-Marie Gbougouri explora agora uma pequena criação de galinhas, graças aos investimentos a que teve acesso. Explicou à Euronews que ainda pensa na Europa, mas que não deseja arriscar a vida por esse sonho:

“Nas primeira semanas, corria tudo bem. Depois, percebi que me enganavam e não voltei a ver ninguém,” explicou.

“Ele desapareceu e deve-me 2500 euros. Ou seja: fiquei sem nada. Por isso, para mim, Europa nao significa exatamente o paraíso. Mesmo se sonhamos sempre em ir pra lá viver. Estaria a mentir se dissesse que não sonho com isso, mas não com essas condições. Estou em forma mas isso de ir de barco para Itália não vai melhorar a minha vida, plo que prefiro ficar e investir no meu país”, continuou.

Mem sempre é fácil recomeçar. Muitos dos migrantes em centros de detenção ou resgatados no Mar Mediterrâneo temem enfrentar a família e a aldeia de onde sairam. A vergonha e o sentimento de falhanço jogam um papel muito importante, como explica Marina Schramm, da OIM:

“Encontram-se numa situação em que sentem que falharam. E é importante trabalhar a nível psicológico com eles. Para que voltem a ter uma identidade e mais amor próprio. Por isso, a formação é importante, ter um diploma é importante. Para que sejam mais do que alguém que volta pra casa de mãos vazias”.


Primeiro produtor mundial de cacau


A Costa do Marfim é o primeiro produtor mundial de cacau, matéria prima fundamental para a produção de chocolate, uma industria avaliada em 80 mil milhões de euros.

As atividades concentram-se em cerca de 10 grande empresas, que dominam as atividades em todo o mundo. Quatro são multinacionais. Entre produtor e consumidor, quem ganha são os intermediários. Grande parte dos trabalhadores vivem em países como a Costa do Marfim.

Mas existem alternativas. A Sociedade Cooperativa Equitável do Bandama fica em M’Brimbo, a 130 quilómetros de Abidjan. É a primeira produtora marfinense de cacau biológico certificado. Conta com 66 produtores. Este ano, espera-se que produzam 75 toneladas de cacau, sem quaisquer produtos químicos.

De acordo com Jean-Evariste Salo, o importante é que cheguem investimentos:

“Precisamos de alguns meios. Ou que venha alguém formar-nos. Para podermos fazer um chocolate produzido no país. As pessoas na Europa estão cansadas de comer produtos químicos. E começam a pedir mais qualidade e os produtos bio são o futuro”.


Espíritos empreendedores à procura de investimento


O continente africano é conhecido pela capacidade de empreendedorismo e pela criatividade. Faltam empregos na economia formal. Há pequenas empresas que surgem da necessidade de sobrevivência. É o caso da Babylab, empresa criada numa zona pobre de Abidjan. Trabalham no setor informático e das aplicações. Guiako Obin diz também que o importante é o investimento:

“Há muito lobbying para fazer junto do poder público local. E preciso que este modelo seja aplicado noutras regiões de África.”

Foi do investimento destinado a start ups que se falou no Sexto Fórum de Negócios Europa África, em Abidjan, este mês de novembro. Em entrevista à Euronews, Stefano Manservisi, da Cooperação Internaiconal e Desenvolvimento da União Europeia, falou das prioridades para a Comissão:

“A prioridade é a interconectividade, o acesso à informação e o acesso a serviços transparentes, a preços justos. Falamos das relações entre pessoas, administração e também entre pessoas e o mercado”.

Para além do Fórum dos Negócios Europa-África, a Cimeira União Europeia – União Africana teve como objetivos definir estratégias de desenvolvimento e cooperacao entre os dois blocos. Bruxelas fala em vários fundos de investimento.