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Erdogan confunde jornalismo com terrorismo em Paris

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Erdogan confunde jornalismo com terrorismo em Paris

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O presidente turco ilustrou em Paris os limites da liberdade de imprensa que levaram mais de 140 jornalistas à prisão na Turquia.

Interrogado sobre a alegada entrega de armas do seu país ao grupo Estado Islâmico na Síria, Tayyip Erdogan, não hesitou em acusar um jornalista francês de "falar como os terroristas" e de ser cúmplice do movimento "FETO" de Fethullah Gülen, apontado como o responsável do golpe militar falhado do ano passado.

"Você está a falar com as palavras do movimento Gulenista. Não está a falar como um jornalista mas como um membro do grupo. Pois os que fizeram essa operação eram procuradores e membros do grupo FETO e estão agora na prisão. Você coloca-me essa questão e porque não se interroga sobre o facto de que os EUA enviaram 4 mil camiões com armas para a Síria? Porque não pergunta isso? Deveria ser sensível também a este ponto e não utilizar as palavras de outros", declarou Erdogan.

As revelações sobre a alegada entrega de armas turcas ao "Daesh", divulgadas pelo jornal turco Cumhurryiet em 2015, tinham levado dezenas de jornalistas do diário à prisão, acusados de ligações ao terrorismo. Entre os acusados encontra-se o ex-chefe de redação do jornal, Can Dündar, atualmente exilado na Alemanha depois de ter escapado do país.

Uma situação denunciada esta sexta-feira pela organização Repórteres Sem Fronteiras, durante uma manifestação em Paris para protestar contra a repressão contra os jornalistas turcos que levou ao encerramento de 150 órgãos de comunicação social no país desde o Verão do ano passado.