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Papa Francisco considera acusações a bispo chileno "calúnias"

Papa Francisco acena à multidão já em Lima, no Peru
Papa Francisco acena à multidão já em Lima, no Peru Direitos de autor REUTERS/Guadalupe Pardo
Direitos de autor REUTERS/Guadalupe Pardo
De  João Paulo Godinho
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As vítimas de abusos sexuais da comunidade de Osorno estão indignadas com a postura do pontífice em relação a Juan Barros.

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O Papa Francisco já está no Peru, mas a passagem pelo Chile continua envolta em polémica, face às críticas de vítimas de abusos sexuais. O líder da Igreja Católica saiu em defesa do bispo chileno Juan Barros, acusado de ter encoberto abusos a menores do sacerdote Fernando Karadima.

Quando questionado sobre as acusações contra o bispo, o pontífice foi taxativo na sua defesa: "O dia em que me trouxerem provas contra o bispo Barros, então falo. Não há uma única prova contra. É tudo uma calúnia. Fui claro?"

O bispo Juan Barros está no centro desta polémicaReuters

Antes de rumar ao Peru, as vítimas de Fernando Karadima compareceram numa conferência de imprensa para denunciar o que consideraram ser uma "oportunidade" perdida pelo Papa Francisco para condenar claramente os casos de abusos sexuais por membros do clero no Chile.

"O Papa Francisco desperdiçou uma grande oportunidade de ouvir a comunidade de Osorno, e aqueles de nós que afirmam que o bispo Barros encobriu os abusos de Fernando Karadima, com provas bem à vista, como aquelas que entregámos ao longo dos anos", adiantou Juan Carlos Cruz, que foi secundado nas críticas ao Papa por outra vítima, James Hamilton: "É inaceitável o que o Papa Francisco afirmou sobre a nossa causa e a nossa luta, que é a luta de todos os que foram abusados."

O apoio de Francisco a Juan Barros já não é novo. Em 2015, o Papa havia dito que as acusações eram uma forma de desacreditar o bispo.

Esta viagem surge numa altura em que muitos chilenos mostram o descontentamento pela nomeação de um bispo próximo de Fernando Karadima, o reverendo considerado culpado em 2011 pelo Vaticano de abuso sexual de menores durante décadas.

Ainda no Chile, o Papa Francisco chegou a encontrar-se com outras vítimas de abusos sexuais, tendo rezado com elas. Foi também em solo chileno que Jorge Bergoglio alertou os bispos para as tentações do clericalismo.

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