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Bélgica torna mais difícil acesso à saúde para indocumentados

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Bélgica torna mais difícil acesso à saúde para indocumentados

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Rachid e Sakina, de origem marroquina, são pais de uma bebé que nasceu num hospital público na Bélgica há três meses, mas temem pelo futuro da filha em termos de cuidados médicos.

"Esta ideia de que os imigrantes estão aqui para abusar do nosso sistema de segurança social é um argumento infundado que fomenta a xenofobia"

Ruth Shrimpling Asssitente social, Médicos do Mundo

Como um dos membros do casal ainda não tem documentos de residente legal no país, a família poderá perder de vez o acesso ao sistema publico denominado Ajuda Médica Urgente, que muitas vezes já lhes é negado.

Rachid disse à euronews que "faço tudo pela família, mas infelizmente agora não consigo. Sinto-me encurralado".

Por seu lado, Sakina refere que "não tenho direito a ir ao hospital de graça, sempre que vou querem que pague. Terei de o fazer se deixar de ter a ajuda dos Médicos do Mundo e esse é um grande problema".

A Médicos do Mundo e outras organizações não-governamentais tentam ajudar os imigrantes indocumentados, cada vez mais privados de serviços - incluindo de alguns que estão previstos na lei -, mas que a burocracia tende a excluir.

Estes profissionais temem que a reforma da lei que visa restringir o acesso ao sistema Ajuda Médica Urgente torne a situação destas pessoas ainda mais frágil.

"Esta ideia de que os imigrantes estão aqui para abusar do nosso sistema de segurança social é um argumento infundado que fomenta a xenofobia que vemos na Bélgica e no resto da Europa", afirma a assistente social Ruth Shrimpling, da Médico dos Mundos.

De acordo com esta organização não-governamental, 90% dos indocumentados nunca recorrem à assistência médica e os abusos são muito pontuais. Além disso, esse serviço representa apenas 0,2% do orçamento total da segurança social.