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Reward Okoh, o último migrante a sair do Aquarius

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Reward Okoh, o último migrante a sair do Aquarius

Reward Okoh, o último migrante a sair do Aquarius
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A "odisseia" do Aquarius acabou por correr o mundo. Passaram-se três meses desde que as 626 pessoas a bordo do navio puderam pisar terra.

Depois de Itália ter recusado receber o Aquarius, a embarcação, cheia de homens, mulheres e crianças, resgatados ao longo da costa da Líbia, no mediterrâneo, acabou por ficar mais do que dez dias ao largo das costas de Itália e de Malta, à espera que algum país desse autorização para que o barco atracasse.

O impasse terminou quando Espanha decidiu deixar atracar o navio no porto de Valência, isto já depois de vários países europeus se terem disponibilizado a acolher parte dos migrantes do Aquarius.

Quem arriscou tudo para chegar à Europa, acabou por conseguir realizar o sonho, em porto espanhol.

Momento em que Reward Okoh abandona o Aquarius

Reward Okoh foi o último a sair do navio de ajuda humanitária. Proveniente da Líbia, foi um dos refugiados que acabou por ficar por Espanha.

Rumou até Bilbau, onde vive, três meses depois. Pediu asilo e está a aguardar a finalização do processo, o que pode demorar até três anos.

Okoh está alojado num local oferecido pelo governo espanhol e tem um subsídio mensal para que consiga sobreviver.

Nova vida, novo país, nova língua

Desde que chegou a Bilbau, Reward Okoh tem aulas de castelhano, mas as aulas ocupam apenas três horas de um dia normal.

Okoh contou à Euronews que o mais difícil da adaptação acaba por ser o "demasiado tempo livre" que tem.

"Na maioria do tempo, sentar-me sozinho ou estar em casa pode ser aborrecido, e depois começo a lembrar-me de coisas do passado.", admitiu. "Começo a lembrar-me de um amigo que morreu na prisão, lá na Líbia." disse.

Reward Okoh numa aula de castelhano

Cada pessoa que desembarcou do Aquarius carrega uma história diferente, mas todos têm algo em comum: Fugiram de uma vida que não queriam.

Acabaram por concretizar o sonho de pisar terreno europeu mas para traz não ficaram os que sempre tiveram. Okoh contou à Euronews que sempre teve o sonho de ser piloto.

"Aqui há muitas oportunidades, mais do que em África. Mas ainda pode demorar muito tempo a alcançar o sonho de ser piloto.", admitiu.

A "odisseia" Aquarius deixou marcas naqueles que fizaram parte dela, e Okoh não é diferente.

"Ninguém consegue escapar a algo daquela natureza.", disse Okoh. "Foi o início de uma nova vida e, quando pensámos que toda a esperança estava perdida, abriu-se uma nova porta", admitiu com um sorriso na cara.