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De vítima de atentado a maratonista

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De vítima de atentado a maratonista

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"Lembro-me de receber o cartão de embarque, da primeira bomba a rebentar atrás de mim, e assim que a senti, percebi o que estava a acontecer. O teto começou a cair, havia vidro por todo o lado, gritos, e enquanto corria, lembro-me de a segunda bomba explodir. Pessoas mortas à volta, um inferno."

Dois anos depois, é desta forma que o belga Sebastien Bellin recorda o momento que lhe mudou a vida. Em março de 2016, na altura com 37 anos, o ex-basquetebolista estava no aeroporto de Bruxelas quando as bombas dos terroristas rebentaram.

Perdeu parte da perna esquerda. deixou de jogar e tornou-se diretor geral da equipa Spirou Charleroi, da Bélgica.

Mas contra todos os prognósticos médicos, Sebastien prepara-se para correr a maratona de Bruxelas, no final deste mês. Uma prova que diz que precisa de superar.

"Uma das coisas que bem cedo prometi a mim mesmo, é de que haveria de encontrar uma forma de voltar a andar. Não se ultrapassa estas lesões com um estalar de dedos. E conseguir correr numa só perna, é um desafio que quero vencer e que me vai ajudar a ultrapassar o que vivi."

Este belga com 2,06 metros, nasceu em São Paulo e já completou provas mais curtas, mas correr a maratona será diferente.

"Não quero essas recordações. Não quero essas imagens na minha cabeça e por isso estou realmente a correr para vencer a morte. A vida deu-me uma segunda oportunidade. Não há muitas pessoas que tenham segundas oportunidades na vida e eu consegui uma."

A maratona de Bruxelas realiza-se a 28 de outubro e Sebastien vai ter na linha de meta, à espera dele, a mulher e as duas filhas.