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Em Palermo, palermitano

Em Palermo, palermitano
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Nas ruas de Palermo, o passado está presente. A cidade, uma das antigas capitais do Mediterrâneo, acolheu e transformou-se desde cedo pelas mãos de gregos, romanos, normandos e espanhois.

Desde 2014, é o porto de desembarque na Sicília para a maioria dos 600 mil migrantes que chegaram à Itália. Uma realidade que Leoluca Orlando conhece bem. Foi eleito pela quinta vez, em 2016, para dirigir os destinos de Palermo. A cidade outrora conhecida como a epicentro da máfia transformou-se na capital italiana da cultura.

O presidente do município garante que foi a luta contra a máfia que o ajudou a moldar uma cultura moderna de acolhimento e integração. Em junho, foi um dos poucos políticos italianos a desafiar Matteo Salvini. Para o presidente da cidade, Palermo estava pronta para permitir o atracamento e desembarque do navio de resgate Aquarius.

"Quando alguém me pergunta quantos migrantes moram em Palermo, se 30 mil, 40 mil, 80 mil... 100.000... eu respondo: 'nenhum'. Quem mora em Palermo é um palermitano. Não diferencio entre os nascidos na cidade e aqueles que vivem em Palermo. Chama a isto um 'modelo'? Eu chamo-le uma experiência concreta feita por um filósofo que adora filosofia, mas que também trabalha como autarca. O meu objetivo é libertar a cidade da vergonha do passado, que é a máfia, que foi usada para matar pessoas. A abordagem de Matteo Salvini parece o início do fascismo. Ele joga vólei, eu jogo críquete. São duas práticas diferentes, duas regras diferentes, dois sistemas de valores diferentes", afirma Leoluca Orlando.

No coração da cidade, o mercado ao ar livre de Ballaro tem 100 anos de histórias para contar, num mosaico de culturas, cheiros e sabores que leva quem o visita numa viagem a África sem sair de Sicília. Era uma das zonas mais degradadas da cidade. Hoje, transforma-se graças ao investimento de jovens empreendedores.

O Moltivolti foi criado em 2014. É um espaço de coworking e um restaurante com uma equipa de 27 pessoas oriundas de 10 países. Ibra é um cliente regular do espeaço. Chegou à Sicília há 10 anos, após ter deixado a Costa do Marfim rumo à Europa. Preside o Conselho de Culturas, um organismo que representa todas as comunidades que vivem em Palermo.

"Em Palermo, um imigrante não se sente diferente de um italiano que nasceu aqui. Um imigrante aqui está diretamente envolvido nas atividades sociais, económicas e políticas", conta.

Hoje, Palermo é já a casa de Ibra.