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Do Aquarius para o Fundão, histórias de refugiados da Eritreia

Do Aquarius para o Fundão, histórias de refugiados da Eritreia
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Abiel encontrou uma nova casa no Fundão, em Portugal. Vem da Eritreia e há poucos meses estava a bordo do navio Aquarius, no Mediterrâneo. Agora, trabalha numa empresa têxtil fundanense.

A Twintex está a desenvolver uma política de contratar mais homens, num setor em que as mulheres constituem ainda o grosso dos operários. Para isso, o recurso à mão-de-obra estrangeira tem sido essencial.

"Temos várias pessoas da Síria e do Bangladeche, por exemplo. Foi uma feliz coincidência quando soubemos que um dos nossos empregados tinha estado a bordo do Aquarius. Está a ser integrado de forma muito positiva, os responsáveis estão contentes. Para já, a única barreira é a língua, mas como há boa vontade de ambas as partes, tudo vai correr bem", diz Mico Mineiro, diretor operacional da empresa.

Gebru e Hadush vêm também da Eritreia. Na empresa agrícola de Paulo Ribeiro, ajudam a produzir fruta, incluindo as famosas cerejas do Fundão.

"Estamos numa região onde há falta de mão-de-obra, por isso esta mão-de-obra é bem-vinda, desde que tenha as competências necessárias. É como uma Torre de Babel. Pensávamos que falavam inglês, mas não, falam apenas Tigrani. Como têm muita vontade de aprender e nós vontade de ensinar, ensinamos pelo exemplo e tudo corre bem. Passando uma semana com técnicos especializados, aprendem as tarefas e conseguem depois executá-las de forma independente", explica Paulo Ribeiro.

A recusa da Itália e de Malta em acolher o navio com 630 migrantes fez correr tinta no último verão. O Aquarius acabou por desembarcar em Espanha. Os migrantes foram para vários países e a Câmara Municipal do Fundão ofereceu-se para acolher 19, uma iniciativa que está a dar um exemplo de integração.

Reveja aqui o documentário da euronews gravado a bordo do Aquarius, no verão