Os quatro países chegaram a um entendimento para a distribuição dos migrantes, cuja divisão estará a cargo de Malta.
A longa jornada dos migrantes a bordo do navio Aquarius encontrou finalmente um porto seguro e quatro destinos para os 58 migrantes resgatados. A solução surgiu a partir do quadro de resposta solidária com um entendimento entre Portugal, Espanha, França e Alemanha para o acolhimento dos refugiados.
Assim, França recebe 18 pessoas, Alemanha e Espanha acolhem 15 e outros dez seguem para Portugal.
O desfecho deste caso foi elogiado pelo primeiro-ministro gaulês, Edouard Philippe, que considerou a solução humana e eficaz. Na mesma linha reagiu o homólogo de Malta, Joseph Muscat, cujo país ficou responsável pelo desembarque e encaminhamento dos migrantes para os outros países.
Joseph Muscat colocou-se ao lado de Emmanuel Macron na defesa do multilateralismo. Aliás, o presidente francês vincou estes valores na assembleia geral da ONU, a decorrer em Nova Iorque.
"Se começo a dizer que a França se torna no porto de abrigo de todos os barcos que partem de África, em primeiro lugar, não é uma solução na qual acredito e, depois, não é sustentável politicamente em França. Posso, às vezes, dar a sensação de não ceder aos bons sentimentos porque acho que eles não têm um amanhã. E acho que se eu seguisse esse caminho alimentaria os extremos xenófobos no nosso país e não resolveria a situação de forma duradoura".
A crise dos migrantes adensou-se novamente nos últimos meses com a política de tolerância zero do novo governo de Itália. Contudo, o primeiro-ministro italiano, Giuseppe Conte, garante que o país está de consciência tranquila.
"Vou dar-lhes alguns números que se limitam aos últimos cinco anos e meio: 588.000 desembarques, dezenas de milhares de pessoas resgatadas. A Itália tem a consciência tranquila. A Itália não é contra a Europa e fez a sua parte. Foi reconhecido várias vezes em diversos órgãos constitucionais que a Itália salvou a honra da Europa", frisou.
O 'Aquarius' é atualmente o único navio de resgate civil a operar no Mediterrâneo central
Esta rota migratória é considerada a mais letal do mundo, tendo morrido milhares de pessoas nos últimos anos.