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Bolsonaro usa França para revogar Pacto de Migração da ONU

Presidente eleito do Brasil volta às redes sociais para falar ao país
Presidente eleito do Brasil volta às redes sociais para falar ao país -
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Jair Bolsonaro voltou às redes sociais para falar ao Brasil e, desta vez, para anunciar a revogação do Pacto Global da Migração das Nações Unidas, assinado na semana pelo governo em funções liderasdo por Michel Temer.

Como justificação, o presidente eleito do Brasil deu como exemplo o caso de França, mas numa visão muito pessoal e desfasada da realidade geral do país europeu, Bolsonaro alega ser cada vez mais "insuportável" viver em certas zonas de França devido ao brando acolhimento de migrantes.

"Infelizmente o corrente ministro das Relações Exteriores do Brasil assinou o Pacto de Migrações da ONU. Acho que todo o mundo sabe o que está acontecendo em França. Está simplesmente insuportável viver em alguns locais de França e a tendência é aumentar a intolerância. Nós não queremos isso no Brasil. Não somos contra imigrantes, mas para entrar no Brasil tem de respeitar um critério rigoroso, caso contrário, no que depender de mim, enquanto chefe de Estado, não entrarão", garantiu o presidente eleito.

Como Brasil afetado a norte por uma forte vaga de migrantes em fuga da Venezuela, Bolsonaro insistiu no exemplo francês para criticar as pessoas que se mudam para outros países e aí tentam impor os hábitos dos países de origem.

O ministro indigitado para assumir a pasta das Relações Externas do Brasil no executivo de Bolsonaro privilegia uma imigração discriminada, respeitando critérios "para garantir a segurança tanto de migrantes como dos cidadãos no país de destino" e "ao serviço dos interesses nacionais e da coesão de cada sociedade."

Ernesto Araújo descreve o Pacto Global para a Migração, ratificado em Marrocos, como "um instrumento inadequado" para lidar com as atuais crises migratórias e sublinha a política protecionista assumida pelo presidente eleito do Brasil.

"A imigração não deve ser tratada como questão global, mas sim de acordo com a realidade e a soberania de cada país", defendeu o futuro chefe da diplomacia na equipa de Bolsonaro.

Ernesto Araújo admite continuar a acolher migrantes venezuelanos que fogem do regime Maduro, mas sublinha ser "fundamental trabalhar pela restauração da democracia na Venezuela."

De acordo com uma estimativa da ONU, o número de imigrantes venezuelanos no Brasil deve duplicar e chegar este ano às 200 mil pessoas.

Tomada de posse

Depois, o presidente eleito passou à respetiva cerimónia de tomada de posse, marcada para 01 de janeiro de 2019, em Brasília, na qual são esperadas meio milhão de pessoas a assistir nas ruas da capital e pelo menos nove chefes de Estado e/ou de Governo.

De fora vão ficar os chefes de Estado de Cuba e Venezuela. Miguel Diaz-Canel e Nicolás Maduro foram convidados num primeiro momento, mas depois desconvidados a pedido da equipa do presidente eleito.

Nesta declaração pelas redes sociais, Jair Bolsonaro alegou não fazer sentido convidar líderes de ditaduras para celebrar um ato de democracia e ameaçou não ficar por aqui em relação aos governos de ambos os países.

"Nós não convidámos o ditador cubano nem o ditador venezuelano. Afinal de contas é uma festa da democracia. Lá não existem eleições e, quando existem, são suspeitas de fraude, por isso, para nós não interessa. Tudo o que pudermos fazer dentro da legalidade e da democracia contra esses países, nós faremos", prometeu o futuro chefe de Estado e de Governo do Brasil.